RADAM — Radiologia Intervencionista da Amazônia

Aneurismas e Malformações

Tratamento da fístula arteriovenosa dural

O risco depende do padrão de drenagem venosa, não apenas do tamanho da comunicação

A fístula arteriovenosa dural é uma comunicação anormal entre artérias da dura-máter e uma veia ou seio venoso intracraniano. Essa conexão pode alterar a direção e a pressão do fluxo venoso, provocando desde zumbido pulsátil até sintomas neurológicos ou hemorragia cerebral. A necessidade e a urgência do tratamento dependem principalmente do padrão de drenagem venosa. Quando indicado, o tratamento pode ser realizado por cateter, através das artérias, das veias ou de uma combinação dessas vias.

  • Angiografia
  • Fluoroscopia

Esta página é informativa. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica individual.

Visão geral

O que é fístula arteriovenosa dural?

A fístula arteriovenosa dural, também chamada de FAV dural, é uma comunicação anormal localizada na dura-máter, a membrana que reveste o cérebro. Ela recebe fluxo de uma ou de várias artérias e drena para um seio venoso ou diretamente para veias. Diferentemente da malformação arteriovenosa cerebral, geralmente não possui o nidus típico dentro do tecido cerebral. Essa comunicação altera a pressão e a direção do fluxo venoso. A FAV dural costuma ser adquirida ao longo da vida e pode estar associada a alterações ou trombose dos seios venosos; em muitos casos, a causa exata não é identificada. Pode ocorrer em diferentes regiões do crânio, e os sintomas e o risco variam conforme a drenagem venosa.

Tipos de tratamento endovascular

Tipos de tratamento endovascular

A via de acesso depende de qual caminho permite alcançar e desconectar a fístula preservando a circulação venosa normal.

  • Embolização transarterial

    Utiliza uma ou mais artérias alimentadoras. O microcateter é conduzido até próximo ao ponto da fístula e o material embólico busca atravessar a comunicação e alcançar o início da drenagem venosa anormal. Fechar apenas artérias proximais pode permitir o recrutamento de novos ramos, e a anatomia de nervos cranianos e das anastomoses precisa ser considerada.

  • Embolização transvenosa

    Utiliza o sistema venoso e pode alcançar o seio ou o compartimento relacionado à fístula. Pode empregar coils, agentes líquidos ou combinação. Exige comprovar que a oclusão não comprometerá a drenagem cerebral normal. É especialmente relevante em algumas localizações, mas não é universalmente possível.

  • Tratamento combinado

    Associa as vias arterial e venosa. Pode ser utilizado em anatomias complexas, na mesma sessão ou em etapas. O objetivo precisa permanecer claramente definido em cada etapa.

  • Tratamento cirúrgico-assistido ou por acesso direto

    Pode ser considerado excepcionalmente, com colaboração da neurocirurgia, para criar acesso a um seio ou vaso de difícil navegação. Não deve ser apresentado como técnica rotineira.

A escolha da via depende de qual caminho permite alcançar e desconectar a fístula preservando a circulação normal.

Finalidade

Para que pode ser utilizada

O tratamento busca desconectar o ponto da fístula, eliminar o refluxo venoso perigoso, preservar a drenagem venosa normal e controlar sintomas quando aplicável. A indicação não decorre apenas da existência da comunicação.

  • Refluxo venoso para veias corticais
  • Hemorragia intracraniana já ocorrida
  • Déficit neurológico atribuído à fístula
  • Congestão venosa cerebral
  • Risco visual em fístulas da região cavernosa
  • Sintomas importantes, incluindo zumbido pulsátil incapacitante
  • Progressão ou mudança do padrão de drenagem
  • Anatomia que permite abordagem com risco aceitável

Técnica

Como é realizado

O procedimento segue etapas encadeadas: avaliação clínica e revisão das imagens; angiografia diagnóstica completa; classificação do padrão de drenagem; definição do objetivo; planejamento da via arterial, venosa ou combinada; anestesia e monitorização; punção vascular; navegação de cateteres; microcateterização seletiva; testes e controles angiográficos; liberação controlada do material; avaliação da fístula e da drenagem normal; tratamento complementar quando planejado; angiografia final; retirada dos cateteres; hemostasia; monitorização neurológica; exames e acompanhamento. A duração varia conforme a anatomia e a estratégia, e não deve ser estimada de forma fixa.

  • Acesso: O acesso arterial pode ser femoral ou radial. A abordagem transvenosa utiliza acesso ao sistema venoso, e mais de um acesso pode ser necessário na mesma sessão. Nenhuma via é universalmente superior: a escolha depende da anatomia e da estratégia definida.
  • Anestesia: Pode ser utilizada anestesia geral. Sedação pode ser considerada em procedimentos diagnósticos ou situações selecionadas. O tratamento exige imobilidade e monitorização contínua.

Como funciona na RADAM

Etapas do procedimento

  1. 01

    Revisão dos exames

    Ressonância, angiotomografia, angiorressonância e angiografias anteriores são analisadas.

  2. 02

    Angiografia cerebral

    O estudo completo identifica artérias alimentadoras, ponto fistuloso, seios e veias de drenagem.

  3. 03

    Análise da drenagem venosa

    Refluxo cortical, congestão e ectasia venosa são caracterizados e orientam a prioridade.

  4. 04

    Definição do objetivo

    Desconectar o ponto da fístula, eliminar refluxo perigoso e preservar a drenagem normal.

  5. 05

    Tratamento quando indicado

    Embolização transarterial, transvenosa ou combinada, em uma ou mais sessões.

  6. 06

    Controle angiográfico

    O resultado é confirmado por imagem e o acompanhamento é individualizado.

O fluxo, a anestesia, o ambiente hospitalar e o tempo de recuperação variam conforme o procedimento e as condições do paciente.

Preparo

Como se preparar

  • Levar ressonâncias, tomografias e angiografias
  • Apresentar laudos e arquivos completos
  • Informar início e características do zumbido
  • Informar sintomas oculares
  • Informar hemorragias ou déficits anteriores
  • Informar medicamentos em uso
  • Comunicar anticoagulantes e antiagregantes
  • Não suspender medicamentos por conta própria
  • Informar alergia a contraste
  • Informar doença renal
  • Informar possibilidade de gravidez
  • Realizar exames laboratoriais solicitados
  • Seguir o jejum orientado
  • Comparecer com acompanhante
  • Compreender o objetivo e a via planejada

Esta preparação é eletiva. Não se aplica a paciente com hemorragia ou piora neurológica aguda, que exige atendimento emergencial.

Depois do procedimento

Recuperação e cuidados

A recuperação é individual. O zumbido pode melhorar imediatamente, de forma progressiva ou persistir, e seu desaparecimento não substitui a confirmação por imagem.

Cuidados posteriores

  • Monitorização neurológica
  • Avaliação da visão quando aplicável
  • Observação do local do acesso
  • Controle da pressão arterial
  • Controle da circulação do membro puncionado
  • Tomografia ou ressonância quando indicada
  • Controle de dor e náusea
  • Internação conforme o caso
  • Avaliação do zumbido
  • Planejamento de acompanhamento
  • Angiografia futura quando necessária

Anatomia

Como a fístula se forma?

  • As artérias da dura normalmente irrigam as membranas ao redor do cérebro
  • Veias e seios venosos conduzem o sangue de volta à circulação
  • Na fístula, surge uma comunicação anormal entre esses sistemas
  • Alterações de pressão venosa podem estimular conexões vasculares
  • Trombose ou estreitamento de seio venoso podem estar associados
  • Cirurgias, traumas e outras condições podem participar em casos selecionados
  • Frequentemente não há uma causa única comprovada

A fístula arteriovenosa dural não deve ser apresentada como consequência de comportamento do paciente. Na FAV dural, a característica mais importante não é apenas onde a fístula está, mas como o sangue retorna pelas veias.

Anatomia

O que é um seio venoso cerebral?

  • São canais venosos localizados entre camadas da dura-máter
  • Recebem o sangue proveniente das veias cerebrais
  • Conduzem o sangue para as veias do pescoço
  • Uma fístula pode drenar para um desses canais
  • Se o fluxo não encontra saída adequada, pode retornar para veias corticais
  • Esse refluxo pode aumentar a pressão nas veias do cérebro

Seio venoso cerebral não significa sinusite e não corresponde aos seios paranasais.

Risco

Por que a drenagem venosa é tão importante?

O padrão de drenagem é o elemento que mais influencia comportamento e prioridade de tratamento.

  • Drenagem sem refluxo cortical

    Implicações
    Pode estar associada a comportamento menos agressivo e provocar sintomas como zumbido pulsátil; ainda exige avaliação especializada, e o padrão pode mudar ao longo do tempo em situações selecionadas
  • Refluxo para veias corticais

    Implicações
    Eleva a pressão em veias do cérebro, pode causar congestão, déficit neurológico e aumentar o risco de hemorragia; geralmente aumenta a prioridade do tratamento
  • Ectasia ou dilatação venosa

    Implicações
    Pode indicar exposição venosa a pressão elevada, pode influenciar o risco e exige caracterização angiográfica

A presença de refluxo venoso cortical pode transformar uma fístula aparentemente pequena em uma condição de maior risco.

Classificação

Classificações de risco

Classificações como Borden e Cognard organizam as fístulas conforme o padrão de drenagem venosa, e não pelo tamanho da comunicação.

  • Drenagem para seio venoso
  • Refluxo dentro do seio
  • Refluxo para veias corticais
  • Drenagem direta para veias
  • Presença de ectasia venosa

Essas classificações auxiliam a estimar comportamento e prioridade, mas não substituem a avaliação individual e não devem ser usadas como ferramenta de autodiagnóstico nem como indicação automática.

Sintomas

Quais sintomas podem ocorrer?

  • Sintomas auditivos

    Zumbido pulsátil, ruído sincronizado com os batimentos, percepção de sopro, piora em determinadas posições e sintomas em um ou nos dois ouvidos.

  • Sintomas oculares

    Olho vermelho, inchaço, pulsação ocular, protrusão do olho, visão dupla, dor, redução visual e aumento da pressão ocular.

  • Sintomas neurológicos

    Fraqueza, alteração da fala, confusão, dificuldade cognitiva, alteração do equilíbrio, convulsões, déficits progressivos, sintomas semelhantes a AVC e alteração do nível de consciência.

  • Hemorragia

    Dor de cabeça súbita, vômitos, convulsão, déficit neurológico e perda de consciência.

  • Outras manifestações

    Cefaleia, congestão venosa, sintomas relacionados à localização e alterações progressivas decorrentes de hipertensão venosa.

Nem todo zumbido pulsátil é provocado por uma fístula dural, mas a percepção sincronizada com os batimentos merece investigação vascular.

Diagnóstico diferencial

Zumbido pulsátil é sempre uma fístula dural?

Não. O zumbido pulsátil pode estar relacionado a alterações arteriais, alterações venosas, estenose de seio venoso, variações anatômicas, tumores vasculares, condições do ouvido, fluxo aumentado e outras causas.

A avaliação pode envolver

  • Exame clínico
  • Avaliação otorrinolaringológica
  • Ressonância
  • Angiorressonância
  • Angiotomografia
  • Doppler em casos selecionados
  • Angiografia cerebral quando persiste suspeita vascular relevante

Não é possível identificar a causa do zumbido pulsátil em todos os pacientes.

Localização

Manifestações oculares e região cavernosa

  • Fístulas na região do seio cavernoso podem afetar as veias dos olhos
  • Podem provocar hiperemia, inchaço, pulsação, visão dupla e redução visual
  • A drenagem venosa influencia diretamente os sintomas
  • Determinadas fístulas indiretas da região cavernosa são durais
  • A fístula carótido-cavernosa direta, frequentemente associada a trauma ou ruptura, é uma condição relacionada, mas distinta
  • A urgência depende da visão, da pressão ocular, da drenagem e da evolução

Esses termos não são sinônimos e não devem ser tratados como a mesma condição.

Exames

Como a fístula é diagnosticada?

Os exames são complementares e utilizados em momentos diferentes.

  • Tomografia

    O que avalia
    Identifica hemorragia, pode demonstrar congestão, edema ou vasos dilatados e pode ser normal em alguns casos
  • Ressonância

    O que avalia
    Avalia cérebro e tecidos, pode mostrar alterações venosas, identifica consequências da congestão e pode sugerir a fístula
  • Angiotomografia e angiorressonância

    O que avalia
    Avaliam artérias e veias, podem demonstrar vasos anormais e ajudam no planejamento, mas podem não definir completamente todas as conexões
  • Angiografia cerebral

    O que avalia
    Identifica artérias alimentadoras, localiza o ponto da fístula, demonstra seios e veias de drenagem, avalia refluxo venoso cortical, determina direção e velocidade do fluxo, orienta a estratégia e pode possibilitar tratamento na mesma sessão quando previamente planejado

Angiografia

Por que a angiografia pode exigir estudo de várias artérias?

  • A dura recebe irrigação de diferentes territórios
  • Uma fístula pode ter múltiplas artérias alimentadoras
  • Podem participar ramos das carótidas externas
  • Podem participar ramos das carótidas internas
  • Podem participar artérias vertebrais
  • Artérias dos dois lados podem contribuir
  • Alguns ramos também irrigam nervos cranianos ou tecidos normais
  • O estudo completo ajuda a planejar segurança e via de tratamento

O exame não deve ser limitado previamente a uma única artéria.

Decisão

Toda FAV dural precisa ser tratada?

Não necessariamente. A decisão é individual e considera sintomas, anatomia e, principalmente, o padrão de drenagem venosa.

A conduta depende do risco estimado e da relação entre risco e benefício.

  • Observação

    Quando pode ser considerada
    Ausência de drenagem venosa cortical de alto risco, sintomas ausentes ou toleráveis, risco do tratamento superior ao benefício, possibilidade de seguimento adequado e decisão multidisciplinar favorável ao acompanhamento
  • Tratamento

    Quando pode ser considerada
    Refluxo venoso cortical, hemorragia prévia, déficit neurológico, congestão cerebral, risco visual, sintomas importantes, anatomia que permite abordagem adequada, progressão do padrão e relação risco-benefício favorável à intervenção

Uma fístula inicialmente classificada como de menor risco pode precisar de reavaliação diante de mudança dos sintomas.

Opções

Quais são as opções de tratamento?

  • Tratamento endovascular

    Geralmente é a principal estratégia. Pode utilizar via arterial, venosa ou combinada, busca alcançar e fechar o ponto da fístula e precisa preservar a drenagem venosa normal.

  • Microcirurgia

    Pode interromper a veia de drenagem anormal ou o ponto fistuloso. Pode ser considerada quando a via endovascular não é segura ou suficiente, e depende da localização.

  • Radiocirurgia

    Pode ser considerada em situações selecionadas. O fechamento é progressivo e não elimina imediatamente o risco, não sendo apropriada para todas as fístulas, especialmente quando há necessidade de proteção rápida.

  • Acompanhamento

    Pode ser apropriado em determinados padrões de baixo risco. Exige orientação sobre novos sintomas e pode incluir exames de controle. Acompanhar não significa ausência de vigilância.

Objetivo

Qual é o objetivo da embolização?

  • Alcançar o ponto da comunicação
  • Interromper o shunt arteriovenoso
  • Eliminar o refluxo venoso cortical
  • Reduzir a hipertensão venosa
  • Preservar os seios necessários
  • Preservar veias normais
  • Evitar apenas redução temporária de fluxo
  • Obter oclusão completa quando possível
  • Confirmar o resultado por angiografia

Reduzir o zumbido sem eliminar uma drenagem venosa perigosa não é suficiente. O resultado precisa ser avaliado pela anatomia e pelo risco residual.

Tecnologias

Quais materiais podem ser utilizados?

  • Agentes embólicos líquidos

    Percorrem ramos arteriais selecionados e podem alcançar o ponto da fístula. Possuem características diferentes de penetração e exigem controle rigoroso para evitar vasos normais.

  • Coils

    Pequenas espirais metálicas que podem ocluir compartimentos venosos ou vasos selecionados. São frequentemente utilizados em determinadas abordagens venosas, mas não são apropriados para todas as anatomias.

  • Balões e outros recursos

    Podem auxiliar no controle de fluxo ou na proteção de estruturas. O uso depende da estratégia e são tecnologias complementares, não procedimentos independentes.

Material embólico é uma tecnologia e não constitui procedimento independente. Esta página não cita marcas comerciais e não anuncia disponibilidade de materiais.

Limites

Por que não basta fechar as artérias alimentadoras?

  • Outras artérias podem assumir o suprimento
  • Artérias proximais podem recanalizar
  • O ponto da fístula pode continuar aberto
  • O refluxo venoso perigoso pode persistir
  • Tratamento incompleto pode reduzir sintomas sem eliminar risco
  • O objetivo deve ser a desconexão durável do shunt
  • Tratamentos parciais podem ter função em situações específicas, mas exigem plano definido

Embolização proximal isolada não deve ser apresentada como cura.

Planejamento

Tratamento em uma ou mais sessões

  • Algumas fístulas podem ser tratadas em uma sessão
  • Outras apresentam múltiplos compartimentos
  • O acesso arterial ou venoso pode ser limitado
  • Pode ser necessário reavaliar o fluxo entre etapas
  • A segurança pode favorecer tratamento escalonado
  • Nova sessão não significa necessariamente falha
  • Não existe número fixo de procedimentos
  • A urgência depende do padrão venoso e dos sintomas

Controle

Resultado e acompanhamento

  • A angiografia avalia o fechamento da fístula
  • Deve ser confirmada a ausência de refluxo perigoso
  • Sintomas podem melhorar imediatamente, progressivamente ou persistir
  • O zumbido pode desaparecer antes da confirmação definitiva, o que não substitui o controle
  • Fístula residual pode exigir tratamento
  • Novos vasos alimentadores podem tornar-se visíveis
  • Recorrência é possível
  • O acompanhamento por imagem deve ser individualizado
  • Angiografia de controle pode ser necessária mesmo após aparente oclusão

O desaparecimento do sintoma não pode ser utilizado como único critério de cura.

Diferenças

FAV dural e MAV cerebral são iguais?

Não. A FAV dural é uma comunicação localizada na dura-máter, geralmente sem o nidus cerebral típico, e seu risco está relacionado especialmente à drenagem venosa. A MAV cerebral possui nidus vascular, localiza-se no cérebro ou relacionada a ele e apresenta arquitetura e estratégias terapêuticas diferentes.

Diferenças

FAV dural cerebral e FAV dural espinhal são iguais?

Não. A FAV dural intracraniana está localizada dentro do crânio e pode causar zumbido, sintomas oculares, hemorragia ou déficits cerebrais. A FAV dural espinhal está relacionada à dura da coluna, pode causar congestão venosa da medula e provocar dificuldade progressiva para caminhar, alterações sensitivas e disfunção esfincteriana; é investigada por angiografia medular e possui planejamento próprio.

Diferenças

FAV dural e fístula liquórico-venosa são iguais?

Não. A FAV dural comunica artéria e veia e envolve fluxo sanguíneo arterial anormal. A fístula liquórico-venosa comunica o espaço do líquido cerebrospinal com uma veia, está relacionada a perda de líquido cerebrospinal, pode causar hipotensão intracraniana e exige exames e tratamento diferentes.

Fluxo assistencial

Caso estável: como o cuidado se organiza

  • Identificação dos sintomas
  • Exames não invasivos
  • Suspeita de fístula
  • Angiografia cerebral
  • Análise da drenagem venosa
  • Classificação de risco
  • Acompanhamento ou tratamento
  • Embolização, cirurgia ou combinação
  • Controle angiográfico

O envio dos exames não confirma automaticamente a necessidade de embolização.

Fluxo assistencial

Hemorragia ou déficit agudo: como o cuidado se organiza

  • Sintomas súbitos
  • Atendimento emergencial
  • Tomografia ou ressonância
  • Estabilização
  • Angiografia cerebral
  • Identificação da fístula e da drenagem
  • Tratamento prioritário quando indicado
  • Monitorização
  • Controle angiográfico
  • Reabilitação e acompanhamento

Este fluxo é hospitalar e emergencial. Não utilize formulários ou canais eletivos nessa situação.

Segunda opinião

Uma fístula arteriovenosa dural precisa ser tratada?

A resposta depende do local da comunicação, dos sintomas e, principalmente, do padrão de drenagem venosa. A revisão da angiografia e dos demais exames pode ajudar a definir se o caso exige tratamento prioritário, acompanhamento ou discussão de diferentes vias endovasculares e cirúrgicas.

Esta avaliação é eletiva. Hemorragia ou piora neurológica atual exige atendimento emergencial.

Riscos e limitações

Riscos possíveis e limitações

Riscos possíveis

  • Sangramento ou hematoma no acesso
  • Pseudoaneurisma
  • Trombose
  • Dissecção
  • Reação ao contraste
  • Alteração da função renal
  • Complicações anestésicas
  • Embolização de artéria normal
  • Lesão de nervo craniano
  • Obstrução de veia ou seio necessário
  • Congestão venosa
  • Hemorragia intracraniana
  • AVC isquêmico
  • Edema
  • Piora visual
  • Déficit neurológico transitório ou permanente
  • Persistência da fístula
  • Recorrência
  • Necessidade de nova intervenção
  • Cirurgia de resgate
  • Incapacidade
  • Morte

Esta página é informativa e não substitui a avaliação médica. A indicação, a via de tratamento, o objetivo de cada sessão, os riscos e o acompanhamento dependem de avaliação individual, equipe habilitada e estrutura hospitalar compatível. Nenhum tratamento elimina completamente o risco de hemorragia ou de recorrência.

Transparência

Limitações do método

  • Múltiplas artérias alimentadoras de territórios diferentes
  • Ramos que também irrigam nervos cranianos ou tecidos normais
  • Anastomoses perigosas entre carótida externa e interna
  • Acesso venoso ao compartimento da fístula indisponível
  • Necessidade de preservar seio venoso funcionante
  • Fístulas com múltiplos compartimentos
  • Impossibilidade de alcançar o ponto fistuloso com segurança

Outras possibilidades

Alternativas que podem ser avaliadas

  • Acompanhamento clínico e por imagem em padrões de menor risco
  • Microcirurgia para desconexão do ponto fistuloso ou da veia de drenagem
  • Radiocirurgia em situações selecionadas, com fechamento progressivo
  • Estratégias combinadas definidas por equipe multidisciplinar

Segurança

Sinais de alerta após o procedimento

  • Dor de cabeça súbita e intensa
  • Convulsão
  • Fraqueza ou alteração da fala
  • Confusão ou sonolência progressiva
  • Piora visual rápida ou olho vermelho e proeminente
  • Sangramento, dor intensa ou aumento de volume no local da punção

Na presença de qualquer um desses sinais, entre em contato com a equipe ou procure atendimento médico.

Relação clínica

Condições relacionadas

Situações associadas à FAV dural intracraniana. Páginas específicas de refluxo venoso cortical, zumbido pulsátil, congestão venosa, sintomas oculares e trombose de seio venoso estão em elaboração editorial.

Procedimento realizado em ambiente hospitalar

Após a avaliação e a indicação, a RADAM participa do planejamento, da coordenação hospitalar e do acompanhamento do paciente.

Equipe RADAM

Equipe médica relacionada

  • Dr. Sildomar Queiroz e Silva — RADAM

    Dr. Sildomar Queiroz e Silva

    Neurorradiologia • Radiologia Intervencionista

    • NeurorradiologiaRQE 6537
    • Radiologista IntervencionistaRQE 6192
    • Radiologia e Diagnóstico por ImagemRQE 6191

    CRM-AM 9916

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Para médicos

Área para médicos

Discuta o caso, encaminhe o paciente ou solicite o procedimento pelos fluxos clínicos da RADAM.

Conteúdo revisado por

  • Dr. Antônio Oliveira de Araújo

    Radiologista Intervencionista · Cirurgia Vascular / Endovascular

    Mestre em Cirurgia · Professor de Medicina

    Membro Titular do CBR–SOBRICE

    CRM-AM 6045 | RQE 5333 | RQE 3517

Última revisão clínica: 26/08/2026

Conteúdo em elaboração editorial. As informações desta página serão ampliadas após revisão clínica.

Referências selecionadas

  • Classificações angiográficas de fístulas arteriovenosas durais baseadas no padrão de drenagem venosa
  • Revisões sobre tratamento endovascular transarterial e transvenoso de fístulas durais intracranianas
  • Documentos de consenso sobre estratégias combinadas endovasculares, microcirúrgicas e radiocirúrgicas

Informação responsável

Esta página é informativa e não substitui a consulta médica. A indicação, a técnica, o preparo e a recuperação dependem da avaliação individual de cada caso.

Próximo passo

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