RADAM — Radiologia Intervencionista da Amazônia

Oncologia Intervencionista • Fígado

Ablação Percutânea de Tumor do Fígado

Energia aplicada dentro do tumor hepático, com planejamento por imagem e preservação do fígado remanescente.

A ablação percutânea de tumores do fígado utiliza um aplicador introduzido através da pele até a lesão, com orientação por ultrassonografia ou tomografia, para destruir o tecido tumoral com calor ou frio. Em pacientes selecionados, pode ser utilizada com intenção curativa, para controle local da doença ou como parte de uma estratégia oncológica mais ampla.

  • Ultrassom
  • Tomografia

Esta página é informativa. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica individual.

Visão geral

O que é ablação percutânea de tumor do fígado

O fígado é um dos órgãos em que a ablação percutânea é mais estudada, tanto em tumores primários — como o carcinoma hepatocelular — quanto em metástases hepáticas selecionadas. O procedimento é realizado através da pele: sob orientação por imagem, um ou mais aplicadores são posicionados dentro da lesão e a energia é aplicada de forma controlada, buscando destruir o tumor com uma margem de tecido ao redor e preservar o máximo possível do fígado saudável. A indicação é individual e depende do tipo de tumor, do número e tamanho das lesões, da localização, da função hepática e da estratégia oncológica definida em avaliação multidisciplinar. A ablação não substitui a cirurgia ou o transplante em todos os casos.

Variações do procedimento

Cenários clínicos no fígado

A avaliação muda conforme a origem do tumor e o estado do fígado. Os cenários abaixo são educativos e não substituem a definição individual da conduta.

  • Carcinoma hepatocelular (CHC)

    Tumor primário do fígado, frequentemente associado a doença hepática crônica. A ablação pode ser considerada em lesões selecionadas, isoladamente ou associada a outros tratamentos, conforme função hepática e estadiamento.

  • Metástases hepáticas

    Lesões secundárias originadas de outro órgão, como o intestino. A ablação pode integrar o tratamento em doença limitada ao fígado ou em cenários oligometastáticos, junto ao tratamento sistêmico.

  • Fígado com cirrose

    A reserva funcional hepática influencia diretamente a escolha da técnica, o volume de tecido tratado e os cuidados após o procedimento.

  • Lesão hepática indeterminada

    Quando o diagnóstico não está definido, a biópsia hepática guiada por imagem pode ser necessária antes de qualquer decisão terapêutica.

Finalidade

Para que pode ser utilizada

A seleção de candidatos considera fatores oncológicos, anatômicos e hepáticos. O tamanho da lesão é relevante, mas nunca é utilizado isoladamente para indicar ou excluir a ablação.

  • Tipo do tumor (primário ou metastático) e diagnóstico definido.
  • Número, tamanho e distribuição das lesões no fígado.
  • Localização em relação a vasos, vias biliares, diafragma, estômago e cólon.
  • Função hepática e presença de cirrose ou hipertensão portal.
  • Presença de doença fora do fígado.
  • Tratamentos prévios: cirurgia, quimioterapia, embolização ou ablação anterior.
  • Possibilidade de cirurgia ou transplante em cada caso.
  • Objetivo do tratamento: curativo, controle local ou preparo para outra terapia.
  • Condições clínicas gerais, coagulação e medicações em uso.
  • Decisão compartilhada com o paciente e com a equipe assistente.

Técnica

Como é realizado

Antes do dia do procedimento, a equipe revisa os exames de imagem, confirma o diagnóstico e planeja o trajeto do aplicador, a técnica de ablação e a margem pretendida. No dia, após anestesia ou sedação definida pela equipe, o aplicador é introduzido através da pele e posicionado dentro da lesão sob orientação por ultrassonografia ou tomografia. A energia é aplicada de forma controlada, a área tratada é reavaliada por imagem e o trajeto pode ser tratado durante a retirada, conforme a técnica. Ao final são realizados curativo, período de observação e orientações de acompanhamento. Não existe tempo fixo: cada etapa depende da localização da lesão, da técnica e das características do fígado.

  • Acesso: Percutâneo, através da pele, sem incisão cirúrgica.
  • Anestesia: Sedação ou anestesia geral, definida pela equipe conforme o caso e a técnica utilizada.
  • Duração aproximada: Variável conforme o número de lesões, a técnica e a localização no fígado.
Médico paramentado conduzindo ablação percutânea de tumor hepático em sala de tomografia.
Ablação percutânea hepática realizada com orientação por tomografia computadorizada.
Detalhe das mãos do médico posicionando o aplicador durante ablação percutânea guiada por imagem.
Posicionamento do aplicador durante uma ablação percutânea guiada por imagem.

Orientação por imagem no fígado

  • Ultrassonografia

    Permite visualização em tempo real do aplicador e do movimento respiratório, útil em lesões acessíveis por essa janela.

  • Tomografia

    Auxilia no planejamento de trajetos em lesões profundas ou próximas ao diafragma e na conferência da área tratada.

  • Recursos complementares

    Conforme a estrutura hospitalar, recursos como contraste ou fusão de imagens podem apoiar o planejamento em casos selecionados.

Equipe acompanhando imagens em sala de procedimento equipada para orientação por imagem.
Equipe acompanhando imagens que auxiliam na orientação do procedimento.

Imagem durante o procedimento

Orientação por imagem durante o procedimento

A orientação por imagem permite localizar a lesão e acompanhar o posicionamento do aplicador ao longo do procedimento. Os achados podem variar entre pacientes.

Imagem de ultrassonografia utilizada para orientação durante a ablação hepática.
A ultrassonografia pode auxiliar na orientação do posicionamento durante o procedimento.
Imagem de tomografia com planejamento do trajeto de punção para ablação hepática.
A tomografia auxilia no planejamento do trajeto até a área a ser tratada.

Como funciona na RADAM

Etapas do procedimento

  1. 01

    Revisão dos exames

    Imagens e laudos do fígado são revisados, com comparação de exames anteriores quando disponíveis.

  2. 02

    Avaliação clínica e hepática

    São avaliados função hepática, condições clínicas, medicações e histórico oncológico.

  3. 03

    Discussão multidisciplinar

    Quando indicado, o caso é discutido com oncologia, hepatologia e cirurgia para definir a melhor estratégia.

  4. 04

    Planejamento técnico

    Definição do trajeto, da técnica de ablação, da margem pretendida e das medidas de proteção.

  5. 05

    Procedimento

    Ablação percutânea guiada por imagem, com anestesia ou sedação definida pela equipe.

  6. 06

    Observação e alta

    Período de observação hospitalar, controle de sintomas e orientações por escrito.

  7. 07

    Acompanhamento

    Reavaliação por imagem da área tratada e integração com o plano oncológico.

O fluxo, a anestesia, o ambiente hospitalar e o tempo de recuperação variam conforme o procedimento e as condições do paciente.

Preparo

Como se preparar

  • Levar todos os exames de imagem do fígado, inclusive os mais antigos, para comparação.
  • Levar exames laboratoriais recentes, incluindo coagulação e função hepática.
  • Informar todas as medicações em uso, especialmente anticoagulantes e antiagregantes.
  • Informar alergias, doenças prévias e tratamentos oncológicos já realizados.
  • Seguir as orientações de jejum e de suspensão de medicações fornecidas pela equipe.
  • Organizar acompanhante e transporte para o dia do procedimento.

Nenhuma medicação deve ser suspensa por conta própria. A suspensão de anticoagulantes é sempre definida pela equipe assistente.

Depois do procedimento

Recuperação e cuidados

A recuperação costuma ser mais rápida que a de uma cirurgia aberta, mas varia conforme a função hepática, a extensão da área tratada e o quadro clínico geral. O retorno ao trabalho e às atividades habituais é orientado individualmente.

Cuidados posteriores

  • Período de observação hospitalar definido conforme a técnica e a evolução.
  • Repouso relativo nos primeiros dias, com retorno gradual às atividades.
  • Cuidados simples com o local da punção e o curativo.
  • Medicações para dor e sintomas conforme prescrição.
  • Retorno com exames de imagem para avaliar a área tratada.

Planejamento técnico

Margem de ablação: por que ela importa no fígado

O objetivo não é apenas atingir o tumor, mas tratar uma margem de tecido ao redor da lesão. Essa margem é planejada para reduzir a chance de tecido tumoral residual nas bordas, respeitando o fígado remanescente e as estruturas vizinhas.

  • A margem é planejada antes do procedimento e conferida por imagem.
  • Lesões próximas a vasos maiores podem ter dissipação de calor, exigindo ajuste da técnica.
  • Em alguns casos são necessários mais de um aplicador ou mais de uma aplicação.
  • O resultado é reavaliado no acompanhamento por exames de imagem.

Segurança

Proteção de estruturas próximas ao fígado

Lesões próximas às vias biliares, ao diafragma, ao estômago, ao cólon ou à vesícula exigem cuidados específicos de planejamento. Existem manobras técnicas para aumentar a distância entre a área tratada e essas estruturas, e a escolha depende da avaliação individual.

  • Definição do trajeto mais seguro por imagem.
  • Escolha da técnica conforme a proximidade de estruturas sensíveis.
  • Manobras de proteção em casos selecionados, conforme a estrutura hospitalar.
  • Decisão de não realizar a ablação quando o risco não é aceitável.

Estratégia de tratamento

Como a ablação se integra ao tratamento oncológico

A ablação hepática raramente é uma decisão isolada. Ela é posicionada dentro de um plano que pode incluir cirurgia, transplante, tratamento sistêmico, radioterapia ou terapias intra-arteriais como a quimioembolização.

  • Pode ser combinada com tratamento sistêmico conforme o cenário oncológico.
  • Pode ser considerada quando a cirurgia não é indicada ou não é desejada.
  • Pode ser repetida em recidivas locais selecionadas.
  • Pode ser associada a terapias intra-arteriais em casos definidos pela equipe.

Depois do procedimento

Síndrome pós-ablação

Após a ablação, algumas pessoas apresentam um conjunto de sintomas transitórios conhecido como síndrome pós-ablação, relacionado à resposta do organismo ao tecido tratado. Costuma ser autolimitado, mas deve ser comunicado à equipe.

  • Febre baixa nos primeiros dias.
  • Cansaço e sensação de mal-estar.
  • Dor ou desconforto no lado direito do abdome.
  • Náusea leve e redução do apetite.

A duração e a intensidade variam. Sintomas persistentes, febre alta, dor intensa ou piora progressiva devem ser avaliados sem demora.

Decisão informada

Segunda opinião sobre um tumor no fígado

Dúvidas sobre operar, ablacionar, embolizar ou seguir apenas com tratamento sistêmico são comuns. Uma segunda opinião especializada, com revisão dos exames, ajuda o paciente e a família a entender as opções antes de decidir.

Benefícios potenciais

O que o procedimento pode oferecer

  • Tratamento local do tumor sem incisão cirúrgica.
  • Preservação do fígado remanescente em casos selecionados.
  • Possibilidade de repetição em recidivas locais selecionadas.
  • Internação e recuperação geralmente mais curtas que a cirurgia aberta.
  • Possibilidade de integração com o tratamento oncológico em andamento.

Riscos e limitações

Riscos possíveis e limitações

Riscos possíveis

  • Dor e desconforto no local tratado.
  • Sangramento, incluindo sangramento intra-abdominal.
  • Infecção ou coleção na área tratada.
  • Lesão de estruturas próximas, como vias biliares, diafragma, vesícula ou alças intestinais.
  • Derrame pleural ou pneumotórax em lesões próximas ao diafragma.
  • Descompensação da função hepática em fígados com reserva reduzida.
  • Tecido tumoral residual, exigindo nova abordagem.
  • Riscos relacionados à sedação ou anestesia.

Esta página tem caráter informativo e não substitui a consulta médica. A indicação da ablação hepática depende do tipo de tumor, do número e da localização das lesões, da função do fígado, dos riscos clínicos e de avaliação multidisciplinar, além de equipe habilitada e estrutura hospitalar compatível.

Transparência

Limitações do método

  • Não é indicada para todos os tumores do fígado.
  • Lesões muito grandes, múltiplas ou difusas podem não ser candidatas.
  • Localizações desfavoráveis podem impedir um trajeto seguro.
  • Não trata doença presente fora do fígado.
  • Não substitui automaticamente cirurgia, transplante ou tratamento sistêmico.
  • Não elimina a necessidade de acompanhamento oncológico continuado.

Outras possibilidades

Alternativas que podem ser avaliadas

  • Ressecção cirúrgica do tumor hepático.
  • Transplante hepático em casos indicados.
  • Quimioembolização ou outras terapias intra-arteriais.
  • Tratamento sistêmico conforme o tipo de tumor.
  • Radioterapia em cenários selecionados.
  • Acompanhamento por imagem quando essa for a conduta definida.

Segurança

Sinais de alerta após o procedimento

  • Dor abdominal intensa ou progressiva.
  • Febre alta ou febre persistente após os primeiros dias.
  • Icterícia (pele ou olhos amarelados).
  • Falta de ar, dor ao respirar ou dor no ombro direito persistente.
  • Sangramento, vômitos persistentes ou confusão mental.

Na presença de qualquer um desses sinais, entre em contato com a equipe ou procure atendimento médico.

Procedimento realizado em ambiente hospitalar

Após a avaliação e a indicação, a RADAM participa do planejamento, da coordenação hospitalar e do acompanhamento do paciente.

A ablação hepática exige revisão prévia dos exames, avaliação clínica e hepática, definição da técnica e estrutura hospitalar compatível com o procedimento e a observação posterior.

Equipe RADAM

Equipe médica relacionada

  • Dr. Antônio Oliveira de Araújo — RADAM

    Dr. Antônio Oliveira de Araújo

    Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular

    • Radiologista IntervencionistaRQE 5333
    • Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 3517

    CRM-AM 6045

  • Dr. Marcos André Filgueiras Dias — RADAM

    Dr. Marcos André Filgueiras Dias

    Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular

    • Radiologista IntervencionistaRQE 6404
    • Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 6389

    CRM-AM 7381

  • Dra. Ruth da Silva Pinheiro — RADAM

    Dra. Ruth da Silva Pinheiro

    Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular

    • Radiologista IntervencionistaRQE 5659
    • Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 5633

    CRM-AM 8927

  • Dr. Sildomar Queiroz e Silva — RADAM

    Dr. Sildomar Queiroz e Silva

    Neurorradiologia • Radiologia Intervencionista

    • NeurorradiologiaRQE 6537
    • Radiologista IntervencionistaRQE 6192
    • Radiologia e Diagnóstico por ImagemRQE 6191

    CRM-AM 9916

Dúvidas comuns

Perguntas frequentes

Para médicos

Área para médicos

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Conteúdo revisado por

  • Dr. Antônio Oliveira de Araújo

    Radiologista Intervencionista · Cirurgia Vascular / Endovascular

    Mestre em Cirurgia · Professor de Medicina

    Membro Titular do CBR–SOBRICE

    CRM-AM 6045 | RQE 5333 | RQE 3517

Última revisão clínica: 23/08/2026

Conteúdo em elaboração editorial. As informações desta página serão ampliadas após revisão clínica.

Informação responsável

Esta página é informativa e não substitui a consulta médica. A indicação, a técnica, o preparo e a recuperação dependem da avaliação individual de cada caso.

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