Aneurismas e Malformações
Tratamento da malformação arteriovenosa cerebral
Artérias alimentadoras, nidus e veias de drenagem: um planejamento multimodal e individual
A malformação arteriovenosa cerebral, também chamada de MAV cerebral, é uma conexão anormal entre artérias e veias do cérebro. Nessa alteração, o sangue passa por um emaranhado vascular sem atravessar normalmente a rede de pequenos capilares. A MAV pode ser descoberta após uma hemorragia, uma crise convulsiva, sintomas neurológicos ou incidentalmente. O tratamento pode envolver acompanhamento, embolização endovascular, microcirurgia, radiocirurgia ou uma combinação dessas estratégias.
- Angiografia
- Fluoroscopia
Dor de cabeça súbita e muito intensa, convulsão, desmaio, fraqueza ou alteração da fala exigem atendimento emergencial imediato.
Esta página é informativa. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica individual.
Sinais de hemorragia exigem emergência
A hemorragia relacionada a uma MAV pode se manifestar de forma súbita e exige avaliação hospitalar imediata.
Procure imediatamente um serviço de emergência ou acione o SAMU pelo 192 quando aplicável. Nem todos esses sintomas decorrem de uma malformação arteriovenosa, mas a avaliação precisa ser imediata.
Sinais que exigem atendimento imediato
- Dor de cabeça súbita e intensa
- Vômitos
- Convulsão
- Perda de consciência
- Fraqueza de um lado do corpo
- Alteração da fala
- Confusão
- Alteração visual
- Dificuldade para caminhar
- Rigidez de nuca
- Sonolência intensa
- Redução do nível de consciência
Não aguarde resposta por WhatsApp, formulário ou consulta diante desses sintomas.
Visão geral
O que é uma MAV cerebral?
A malformação arteriovenosa cerebral é uma conexão vascular anormal. As artérias levam sangue sob maior pressão e as veias normalmente recebem o sangue depois da passagem pelos capilares; na MAV existe comunicação anormal entre os dois sistemas. O emaranhado vascular central é chamado de nidus. Pode haver uma ou várias artérias alimentadoras, assim como uma ou várias veias de drenagem, e a anatomia varia amplamente: algumas MAVs são pequenas e compactas, outras são extensas ou difusas. A malformação pode estar próxima de áreas responsáveis por fala, movimento, visão ou outras funções. MAV não é tumor, não é aneurisma e não é obstrução por coágulo.
Tipos de embolização da MAV
Tipos de embolização da MAV
A embolização pode ter objetivos diferentes. O objetivo muda o planejamento, a extensão do tratamento e a forma de avaliar o resultado.
Embolização curativa
Busca a oclusão completa da malformação. É possível apenas em casos selecionados, depende de anatomia favorável e exige confirmação angiográfica. Não deve ser prometida antes do estudo detalhado.
Embolização pré-operatória
Reduz parte do fluxo, pode tratar compartimentos profundos e controlar artérias de difícil acesso cirúrgico, buscando facilitar a ressecção. Deve integrar planejamento conjunto com a neurocirurgia.
Embolização antes da radiocirurgia
Pode reduzir volume ou tratar componentes específicos. Precisa considerar alterações anatômicas que influenciam o planejamento radiocirúrgico, não é necessária em todas as MAVs e exige coordenação entre as equipes.
Embolização direcionada
Trata um ponto considerado de maior risco, podendo abordar aneurisma associado, controlar uma fonte provável de hemorragia ou reduzir sintomas relacionados a alto fluxo. Não significa necessariamente exclusão completa da MAV.
Embolização paliativa ou para controle de sintomas
Pode ser considerada excepcionalmente para reduzir um componente de fluxo ou um sintoma. Não elimina necessariamente o risco de hemorragia e deve possuir objetivo clínico claro. Embolização parcial sem estratégia definida não é benefício automático.
Embolização em etapas
Divide o tratamento em mais de uma sessão e pode ser considerada em MAVs maiores ou complexas, buscando limitar mudanças bruscas de fluxo. Cada etapa depende da resposta e do planejamento, e não existe número fixo de sessões.
O objetivo da embolização precisa ser definido antes de cada sessão: curar, preparar outro tratamento, controlar um ponto de risco ou reduzir sintomas.
Finalidade
Para que pode ser utilizada
O tratamento busca reduzir o risco relacionado à malformação preservando o tecido cerebral funcional. A indicação não decorre apenas da existência da MAV.
- MAV que já provocou hemorragia
- Crises convulsivas ou sintomas atribuídos à malformação
- Aneurisma associado considerado ponto de maior risco
- Anatomia favorável a tratamento com risco aceitável
- Preparo para microcirurgia ou radiocirurgia
- Situações em que a decisão compartilhada favorece a intervenção
Técnica
Como é realizado
A sessão de embolização segue etapas encadeadas: avaliação clínica e revisão das imagens; discussão multidisciplinar; definição do objetivo da sessão; planejamento anestésico; punção arterial; introdução de cateteres; angiografia cerebral; navegação seletiva até uma artéria alimentadora; avaliação do território irrigado; posicionamento do microcateter; administração controlada do agente embólico; controle angiográfico; tratamento de outro compartimento quando planejado e seguro; retirada dos cateteres; hemostasia; monitorização neurológica; exames de controle; e definição da próxima etapa. Não há duração fixa nem quantidade fixa de sessões.
- Acesso: O acesso geralmente ocorre por uma artéria, femoral ou radial, conforme a anatomia e o planejamento. Um acesso venoso pode ser utilizado em estratégias excepcionais. Nenhuma via é universalmente superior.
- Anestesia: A embolização costuma exigir controle rigoroso dos movimentos e a anestesia geral pode ser utilizada. A estratégia depende do caso e é definida junto à equipe de anestesia, com monitorização neurológica e hemodinâmica durante todo o procedimento.
Como funciona na RADAM
Etapas do procedimento
01
Revisão dos exames
Tomografia, ressonância, angiotomografia ou angiografia são analisadas para caracterizar a malformação.
02
Análise da arquitetura
Artérias alimentadoras, nidus, veias de drenagem e aneurismas associados são mapeados.
03
Discussão multidisciplinar
Equipe endovascular, neurocirúrgica e de radiocirurgia discutem acompanhamento ou tratamento.
04
Definição do objetivo
Cada sessão de embolização recebe um objetivo explícito: curar, preparar, direcionar ou controlar sintomas.
05
Tratamento quando indicado
Embolização isolada, combinada ou em etapas, conforme o planejamento.
06
Controle por imagem
Angiografia e ressonância avaliam o resultado em relação ao objetivo e orientam etapas futuras.
O fluxo, a anestesia, o ambiente hospitalar e o tempo de recuperação variam conforme o procedimento e as condições do paciente.
Preparo
Como se preparar
- Levar tomografias, ressonâncias e angiografias
- Apresentar exames completos e laudos
- Informar crises convulsivas
- Informar hemorragias anteriores
- Informar todos os medicamentos em uso
- Comunicar uso de anticoagulantes e antiagregantes
- Não suspender medicamentos por conta própria
- Informar alergia a contraste
- Informar doença renal
- Informar possibilidade de gravidez
- Realizar os exames laboratoriais solicitados
- Seguir o jejum orientado
- Comparecer com acompanhante
- Discutir o objetivo específico da embolização
- Compreender se haverá outras etapas
Esta preparação vale apenas para tratamento eletivo. Diante de suspeita de hemorragia aguda, o caminho é o atendimento emergencial imediato.
Depois do procedimento
Recuperação e cuidados
Após a embolização, o paciente permanece sob monitorização neurológica, com controle da pressão arterial, observação do acesso e da circulação do membro utilizado. Tomografia ou ressonância podem ser realizadas quando indicadas, além de controle de dor e náusea e vigilância para hemorragia ou isquemia. A internação depende do caso e a próxima etapa é planejada conforme o resultado. Não é possível prometer alta rápida.
Cuidados posteriores
- Monitorização neurológica
- Controle da pressão arterial
- Observação do local do acesso
- Controle da circulação do membro
- Tomografia ou ressonância quando indicada
- Controle de dor e náusea
- Vigilância para hemorragia ou isquemia
- Internação conforme o caso
- Continuidade dos medicamentos prescritos
- Planejamento da próxima etapa
- Reabilitação quando necessária
Anatomia
Entendendo a anatomia da MAV
A MAV é formada por artérias alimentadoras, um emaranhado vascular chamado nidus e veias de drenagem.
Artérias alimentadoras
Levam sangue até a malformação. Podem ser superficiais ou profundas, apresentar ramos que também irrigam cérebro saudável e possuir aneurismas relacionados ao fluxo.
Nidus
É o emaranhado de vasos anormais e representa a região central da MAV. Tamanho, formato e compactação influenciam o tratamento.
Veias de drenagem
Retiram o sangue da MAV e podem ser superficiais ou profundas. Estreitamentos e alterações venosas podem influenciar o risco, e o fechamento inadvertido da drenagem antes do controle adequado do nidus pode ser perigoso.
Aneurismas associados
Podem estar nas artérias alimentadoras ou no interior da MAV, podem ser responsáveis pelo sangramento e podem receber tratamento direcionado em situações selecionadas.
O tratamento precisa respeitar a sequência do fluxo. Fechar apenas a saída venosa sem controlar adequadamente a entrada arterial pode aumentar o risco de hemorragia.
Diagnóstico
Como uma MAV é descoberta?
- Hemorragia cerebral
- Crise convulsiva
- Déficit neurológico
- Dor de cabeça
- Sintomas progressivos
- Alteração visual
- Dificuldade de fala
- Investigação de ruído vascular
- Exame realizado por outro motivo
- Tomografia ou ressonância
- Angiotomografia ou angiorressonância
- Angiografia cerebral
Cefaleias crônicas não devem ser atribuídas automaticamente a uma MAV.
Comparação
MAV rota e não rota
A apresentação com ou sem hemorragia altera a urgência, o ambiente de cuidado e o momento do tratamento definitivo.
| Situação | Características | Implicações |
|---|---|---|
| MAV não rota | Não apresenta hemorragia atual conhecida e pode ser incidental ou sintomática | Exige avaliação do risco natural; o tratamento preventivo pode ou não ser indicado e a decisão pode ser complexa |
| MAV rota | Já provocou hemorragia e pode apresentar aneurisma associado | Exige atendimento hospitalar e identificação da origem do sangramento; tratamento imediato, precoce ou diferido depende do quadro, e hematoma, edema e instabilidade clínica influenciam o planejamento |
MAV não rota
- Características
- Não apresenta hemorragia atual conhecida e pode ser incidental ou sintomática
- Implicações
- Exige avaliação do risco natural; o tratamento preventivo pode ou não ser indicado e a decisão pode ser complexa
MAV rota
- Características
- Já provocou hemorragia e pode apresentar aneurisma associado
- Implicações
- Exige atendimento hospitalar e identificação da origem do sangramento; tratamento imediato, precoce ou diferido depende do quadro, e hematoma, edema e instabilidade clínica influenciam o planejamento
A hemorragia anterior é um elemento importante, mas não determina sozinha qual técnica deve ser utilizada nem o momento exato do tratamento definitivo.
Decisão
Toda MAV precisa ser tratada?
Não necessariamente. A decisão é individual e considera diversos elementos clínicos e anatômicos.
- Hemorragia anterior
- Idade
- Sintomas
- Crises convulsivas
- Tamanho
- Localização
- Eloquência da região cerebral
- Drenagem venosa
- Anatomia arterial
- Aneurismas associados
- Possibilidade de oclusão completa
- Risco da cirurgia
- Resposta esperada à radiocirurgia
- Risco da embolização
- Condições clínicas
- Preferência informada
- Experiência da equipe
- Possibilidade de acompanhamento
Escalas não devem ser utilizadas como decisão automática, e tratamento invasivo não é obrigatório para toda MAV não rota.
Risco
Como o risco é avaliado?
- Histórico de hemorragia
- Localização profunda
- Drenagem venosa profunda
- Aneurismas associados
- Alterações venosas
- Características do nidus
- Sintomas
- Idade
- Evolução ao longo do tempo
- Relação com áreas funcionais
- Risco cumulativo ao longo da vida
- Risco de cada tratamento
- Classificação de Spetzler–Martin, de forma conceitual
- Classificações angiográficas complementares
- Escalas de risco para cirurgia ou radiocirurgia
As classificações ajudam a organizar a análise, mas não substituem a discussão individual do caso. Esta página não publica taxa anual de sangramento como previsão pessoal.
Exames
Quais exames são utilizados?
Os exames são complementares e utilizados em momentos diferentes.
| Exame | O que avalia |
|---|---|
| Tomografia | Identifica hemorragia, avalia localização e volume do sangramento e pode mostrar hidrocefalia ou efeito de massa |
| Ressonância | Avalia cérebro, nidus e estruturas próximas, identifica lesões anteriores, ajuda a relacionar a MAV às áreas funcionais e pode ser usada no planejamento e acompanhamento |
| Angiotomografia e angiorressonância | Avaliam os vasos de forma não invasiva, ajudam a demonstrar a anatomia e podem orientar a investigação |
| Angiografia cerebral | Detalha artérias alimentadoras, demonstra o nidus, avalia veias de drenagem, identifica aneurismas, analisa o fluxo em tempo real, orienta tratamento endovascular, cirurgia e radiocirurgia e pode ser repetida após o tratamento |
Tomografia
- O que avalia
- Identifica hemorragia, avalia localização e volume do sangramento e pode mostrar hidrocefalia ou efeito de massa
Ressonância
- O que avalia
- Avalia cérebro, nidus e estruturas próximas, identifica lesões anteriores, ajuda a relacionar a MAV às áreas funcionais e pode ser usada no planejamento e acompanhamento
Angiotomografia e angiorressonância
- O que avalia
- Avaliam os vasos de forma não invasiva, ajudam a demonstrar a anatomia e podem orientar a investigação
Angiografia cerebral
- O que avalia
- Detalha artérias alimentadoras, demonstra o nidus, avalia veias de drenagem, identifica aneurismas, analisa o fluxo em tempo real, orienta tratamento endovascular, cirurgia e radiocirurgia e pode ser repetida após o tratamento
Opções
Quais são as opções de tratamento?
Acompanhamento
Avaliação clínica, controle de sintomas, exames periódicos e reavaliação diante de mudança clínica. Acompanhar não significa ausência de cuidado.
Embolização endovascular
Utiliza cateteres dentro das artérias e administra material embólico em vasos selecionados. Pode tratar pontos específicos, reduzir o fluxo ou o volume, preparar cirurgia ou radiocirurgia e alcançar oclusão completa em casos selecionados.
Microcirurgia
Remove a MAV por acesso neurocirúrgico e pode proporcionar exclusão imediata quando completa. O risco depende da localização, tamanho e drenagem, e pode ser favorecida em MAVs selecionadas.
Radiocirurgia
Utiliza radiação focalizada e promove fechamento progressivo, que pode levar meses ou anos. A MAV permanece com risco durante o período de latência e a técnica é utilizada principalmente em anatomias selecionadas.
Mais de uma modalidade pode ser utilizada no mesmo plano terapêutico.
Tecnologias
Quais materiais podem ser utilizados?
Agentes embólicos líquidos
Percorrem vasos selecionados e podem solidificar ou precipitar no interior da MAV. Possuem diferentes características de penetração, exigem controle rigoroso e não devem atingir artérias normais ou veias de forma não planejada.
Agentes adesivos
Polimerizam rapidamente em contato com o sangue e exigem técnica específica. Velocidade de injeção e preparo influenciam o comportamento. A disponibilidade não deve ser presumida.
Agentes não adesivos
Possuem comportamento diferente durante a injeção e permitem determinados padrões de progressão. Também exigem experiência e planejamento.
Coils
Podem ser utilizados em situações específicas, reduzindo fluxo em determinados vasos ou tratando aneurismas associados. Geralmente não são utilizados para preencher todo o nidus.
A escolha depende do objetivo, fluxo, anatomia e segurança. Material embólico é uma tecnologia e não constitui um procedimento independente. Esta página não cita marcas comerciais.
Vias de acesso
Embolização transarterial e transvenosa
As vias não são intercambiáveis e possuem indicações distintas.
| Via | Características |
|---|---|
| Transarterial | Utiliza artérias alimentadoras, é a via mais frequentemente empregada, permite alcançar compartimentos selecionados e exige identificação de ramos para cérebro normal |
| Transvenosa | Utiliza uma veia de drenagem, é considerada apenas em situações altamente selecionadas, exige anatomia e estratégia específicas e pode apresentar risco de hemorragia se a drenagem for comprometida inadequadamente |
Transarterial
- Características
- Utiliza artérias alimentadoras, é a via mais frequentemente empregada, permite alcançar compartimentos selecionados e exige identificação de ramos para cérebro normal
Transvenosa
- Características
- Utiliza uma veia de drenagem, é considerada apenas em situações altamente selecionadas, exige anatomia e estratégia específicas e pode apresentar risco de hemorragia se a drenagem for comprometida inadequadamente
A escolha da via não depende apenas de preferência técnica, mas da arquitetura completa da MAV. A via transvenosa não é opção rotineira.
Limites
Por que nem toda MAV pode ser curada por embolização?
- Múltiplas artérias alimentadoras
- Vasos muito pequenos
- Ramos compartilhados com cérebro saudável
- Nidus difuso
- Localização em área funcional
- Drenagem venosa complexa
- Risco de refluxo do material embólico
- Impossibilidade de penetrar todo o nidus
- Risco de fechamento venoso precoce
- Mudança perigosa da pressão e do fluxo
- Benefício maior de estratégia combinada
Embolização parcial não equivale à cura. O resultado é avaliado em relação ao objetivo definido para cada sessão.
Comparação
Embolização, cirurgia ou radiocirurgia?
As modalidades são frequentemente complementares e a comparação é educativa.
| Modalidade | Características | Pontos de atenção |
|---|---|---|
| Embolização | Tratamento por cateter que permite tratar pontos específicos | Pode ser curativa em casos selecionados, frequentemente integra plano combinado e possui risco de hemorragia e AVC |
| Microcirurgia | Remove a MAV, com exclusão que pode ser imediata quando completa | Exige craniotomia e o risco depende da localização e da anatomia |
| Radiocirurgia | Não exige cirurgia aberta e o efeito é progressivo | Pode ser adequada para MAVs selecionadas; o risco de hemorragia permanece durante a latência e o resultado exige controle tardio |
Embolização
- Características
- Tratamento por cateter que permite tratar pontos específicos
- Pontos de atenção
- Pode ser curativa em casos selecionados, frequentemente integra plano combinado e possui risco de hemorragia e AVC
Microcirurgia
- Características
- Remove a MAV, com exclusão que pode ser imediata quando completa
- Pontos de atenção
- Exige craniotomia e o risco depende da localização e da anatomia
Radiocirurgia
- Características
- Não exige cirurgia aberta e o efeito é progressivo
- Pontos de atenção
- Pode ser adequada para MAVs selecionadas; o risco de hemorragia permanece durante a latência e o resultado exige controle tardio
O melhor tratamento não é necessariamente o menos invasivo isoladamente, mas aquele que oferece a relação mais favorável entre controle da MAV e preservação neurológica.
Diferenças
MAV e aneurisma cerebral são iguais?
Não. A MAV é uma rede anormal de conexões entre artérias e veias, geralmente com nidus, e pode alterar o fluxo em múltiplos vasos. O aneurisma é uma dilatação localizada da parede arterial, pode existir isoladamente e também pode estar associado à MAV.
Diferenças
MAV e fístula arteriovenosa dural são iguais?
Não. A MAV cerebral possui nidus no tecido cerebral ou relacionado a ele e envolve uma rede vascular anormal. A fístula arteriovenosa dural é uma comunicação anormal localizada na dura-máter, geralmente sem o mesmo tipo de nidus; seu risco depende especialmente do padrão de drenagem venosa, e tratamento e acesso podem ser diferentes.
Resultado
A MAV pode continuar após a embolização?
- Pode permanecer nidus residual
- Pode persistir fluxo por outras artérias
- A embolização pode ter sido propositalmente parcial
- O resultado precisa ser comparado ao objetivo da sessão
- Tratamento complementar pode ser necessário
- Ausência de fluxo em exame inicial não elimina automaticamente o acompanhamento
- Angiografia de controle pode ser necessária
Não se deve falar em procedimento bem-sucedido sem definir qual era o objetivo da sessão.
Controle
Como saber se a MAV foi completamente tratada?
- Avaliação angiográfica
- Ausência de nidus residual
- Ausência de drenagem venosa precoce
- Correlação com ressonância ou outros exames
- Confirmação após cirurgia, embolização ou período de resposta à radiocirurgia
- Momento do controle definido pela técnica utilizada
- Seguimento individualizado
- Considerações específicas em crianças e pacientes jovens
Não existe calendário universal de acompanhamento.
Recuperação
Recuperação e reabilitação
- Fisioterapia
- Fonoaudiologia
- Terapia ocupacional
- Controle de crises convulsivas
- Reabilitação cognitiva
- Avaliação visual
- Suporte psicológico
- Acompanhamento neurológico
- Orientação familiar
- Retorno gradual às atividades
A recuperação é individual e não pode ser prometida como completa.
Fluxo assistencial
MAV não rota: como o cuidado se organiza
- Descoberta da MAV
- Revisão dos exames
- Avaliação clínica
- Angiografia quando indicada
- Análise anatômica
- Discussão multidisciplinar
- Acompanhamento ou tratamento
- Embolização, cirurgia, radiocirurgia ou combinação
- Controle por imagem
O envio dos exames não confirma automaticamente indicação de embolização.
Fluxo assistencial
Suspeita de hemorragia: como o cuidado se organiza
- Sintomas súbitos
- Atendimento emergencial
- Tomografia
- Estabilização
- Identificação da causa
- Avaliação da MAV e de pontos de maior risco
- Decisão sobre tratamento imediato ou diferido
- Cuidados intensivos
- Tratamento definitivo
- Reabilitação e acompanhamento
Este fluxo é hospitalar e emergencial. Não utilize formulários ou canais eletivos nessa situação.
Segunda opinião
Qual estratégia pode ser considerada para uma MAV cerebral?
A decisão depende da apresentação clínica, do tamanho e localização do nidus, das artérias alimentadoras, das veias de drenagem e da relação com áreas funcionais. A revisão multidisciplinar pode discutir acompanhamento, embolização, cirurgia, radiocirurgia ou tratamento combinado.
Esta avaliação é destinada a casos eletivos ou já estabilizados. Sintomas agudos exigem atendimento emergencial.
Benefícios potenciais
O que o procedimento pode oferecer
- Possibilidade de tratar pontos considerados de maior risco
- Redução de fluxo ou volume antes de cirurgia ou radiocirurgia
- Oclusão completa em casos selecionados
- Tratamento por dentro das artérias, sem abertura do crânio
- Avaliação angiográfica detalhada da arquitetura da MAV
Riscos e limitações
Riscos possíveis e limitações
Riscos possíveis
- Hematoma ou sangramento no local do acesso
- Pseudoaneurisma
- Dissecção
- Trombose
- Reação ao contraste
- Alteração da função renal
- Complicações anestésicas
- Refluxo de material embólico
- Embolização de artéria normal
- Obstrução venosa precoce
- Hemorragia cerebral
- Ruptura da MAV
- AVC isquêmico
- Edema
- Nova crise convulsiva
- Déficit neurológico transitório ou permanente
- Necessidade de cirurgia emergencial
- Necessidade de nova intervenção
- Incapacidade
- Morte
Esta página é informativa e não substitui a avaliação médica. A indicação, a técnica, o objetivo de cada sessão, os riscos e o acompanhamento dependem de avaliação individual, equipe habilitada e estrutura hospitalar compatível. Nenhum tratamento elimina completamente o risco de hemorragia.
Transparência
Limitações do método
- Múltiplas artérias alimentadoras
- Vasos muito pequenos
- Ramos compartilhados com cérebro saudável
- Nidus difuso
- Localização em área funcional
- Drenagem venosa complexa
- Risco de refluxo do material embólico
- Impossibilidade de penetrar todo o nidus
- Risco de fechamento venoso precoce
- Mudança perigosa da pressão e do fluxo
- Benefício maior de estratégia combinada
Outras possibilidades
Alternativas que podem ser avaliadas
- Acompanhamento clínico com exames periódicos
- Microcirurgia para ressecção da MAV
- Radiocirurgia estereotáxica
- Estratégias combinadas definidas por equipe multidisciplinar
Segurança
Sinais de alerta após o procedimento
- Dor de cabeça súbita e intensa
- Convulsão
- Desmaio ou redução do nível de consciência
- Fraqueza de um lado do corpo
- Alteração da fala
- Alteração visual de início súbito
- Sangramento, dor intensa ou aumento de volume no local da punção
Na presença de qualquer um desses sinais, entre em contato com a equipe ou procure atendimento médico.
Relação clínica
Condições relacionadas
Situações associadas à MAV cerebral. Páginas específicas de MAV rota e não rota, hemorragia intracerebral, hemorragia subaracnóidea, epilepsia e déficit neurológico estão em elaboração editorial.
Malformação vascular cerebral
Malformação arteriovenosa ou fístula dos vasos do cérebro.
Ver condiçãoAVC hemorrágico
Sangramento cerebral que exige atendimento imediato e avaliação especializada.
Ver condiçãoAneurisma cerebral
Dilatação localizada em uma artéria do cérebro que pode precisar de acompanhamento ou tratamento, conforme seu risco de ruptura.
Ver condição
Linha de cuidado
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Páginas já publicadas relacionadas ao diagnóstico e ao tratamento endovascular cerebrovascular. As páginas de microcirurgia e radiocirurgia estereotáxica estão em elaboração editorial.
Neurointervenção
Reúne procedimentos realizados por cateter, com imagens em tempo real, para tratar doenças dos vasos do cérebro e do pescoço.
Ver procedimentoArteriografia cerebral
Estudo angiográfico diagnóstico dos vasos cerebrais e cervicais, realizado por cateter.
Ver procedimentoTratamento endovascular do aneurisma cerebral
O aneurisma cerebral é uma dilatação da parede de uma artéria do cérebro. Parte dos casos pode ser apenas acompanhada; outros podem ser tratados por dentro das artérias, com cateteres e dispositivos, ou por cirurgia.
Ver procedimentoTratamento da fístula arteriovenosa dural
Tratamento endovascular transarterial, transvenoso ou combinado da comunicação arteriovenosa localizada na dura-máter, conforme o padrão de drenagem venosa.
Ver procedimentoTrombectomia mecânica para AVC
Na trombectomia mecânica, cateteres são conduzidos pelas artérias até o vaso cerebral obstruído para tentar aspirar ou capturar o coágulo e restabelecer o fluxo de sangue. A indicação depende do quadro clínico, do tempo desde o início dos sintomas, da artéria obstruída e dos exames de imagem. Sinais súbitos de AVC exigem atendimento emergencial imediato.
Ver procedimento
Procedimento realizado em ambiente hospitalar
Após a avaliação e a indicação, a RADAM participa do planejamento, da coordenação hospitalar e do acompanhamento do paciente.
Equipe RADAM
Equipe médica relacionada

Dr. Sildomar Queiroz e Silva
Neurorradiologia • Radiologia Intervencionista
- NeurorradiologiaRQE 6537
- Radiologista IntervencionistaRQE 6192
- Radiologia e Diagnóstico por ImagemRQE 6191
CRM-AM 9916
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes
Para médicos
Área para médicos
Discuta o caso, encaminhe o paciente ou solicite o procedimento pelos fluxos clínicos da RADAM.
Conteúdo revisado por
Dr. Antônio Oliveira de Araújo
Radiologista Intervencionista · Cirurgia Vascular / Endovascular
Mestre em Cirurgia · Professor de Medicina
Membro Titular do CBR–SOBRICE
CRM-AM 6045 | RQE 5333 | RQE 3517
Última revisão clínica: 26/08/2026
Conteúdo em elaboração editorial. As informações desta página serão ampliadas após revisão clínica.
Referências selecionadas
- Diretrizes e documentos de consenso sobre manejo de malformações arteriovenosas cerebrais
- Revisões sobre embolização curativa, pré-operatória, pré-radiocirúrgica e direcionada
- Literatura sobre estratégias combinadas de microcirurgia, radiocirurgia e tratamento endovascular
Informação responsável
Esta página é informativa e não substitui a consulta médica. A indicação, a técnica, o preparo e a recuperação dependem da avaliação individual de cada caso.
Próximo passo
Precisa compreender as opções para uma MAV cerebral?
Envie a ressonância, angiotomografia ou angiografia para avaliação. A anatomia vascular e o histórico clínico serão considerados na discussão entre acompanhamento, embolização, microcirurgia, radiocirurgia ou estratégia combinada. Dor súbita intensa, convulsão ou déficit neurológico exigem atendimento emergencial imediato.
Nenhum documento é enviado nesta etapa do protótipo. A equipe orienta o envio seguro após o contato.

