RADAM — Radiologia Intervencionista da Amazônia

Fígado e vias biliares

Trombose da veia porta

Formação de um coágulo dentro da veia porta, que leva ao fígado o sangue do intestino, do estômago, do baço e do pâncreas. Pode ser recente ou crônica, ocorrer com ou sem cirrose e exige avaliação individualizada da causa, da extensão e das complicações.

Também chamado de: trombose de veia porta · trombose portal · veia porta trombosada · obstrucao da veia porta · trombo na veia porta · trombose portomesenterica · cavernomatose portal · transformacao cavernomatosa da veia porta

Visão geral

O que é trombose da veia porta

A trombose da veia porta ocorre quando um coágulo reduz ou bloqueia o fluxo de sangue que chega ao fígado pela veia porta. Pode ser recente ou crônica, ocorrer com ou sem cirrose e, em parte dos casos, é encontrada por acaso em exames realizados por outro motivo. Em outras situações provoca dor abdominal ou complicações da hipertensão portal. A conduta depende da causa, da extensão, do tempo de evolução, dos sintomas e da função do fígado.

Causas e mecanismos

Por que trombose da veia porta acontece

A obstrução pode estar associada a doenças do fígado, como cirrose e hipertensão portal, a doenças tumorais do fígado, do pâncreas ou de regiões próximas, a inflamações e procedimentos abdominais como pancreatite, infecções, cirurgias, transplante e trauma, a alterações hereditárias ou adquiridas da coagulação e a situações como gravidez, puerpério e uso de determinados medicamentos. Em alguns casos a causa não é identificada inicialmente.

Fatores de risco

  • Cirrose, hipertensão portal e outras doenças crônicas do fígado
  • Tumores do fígado, do pâncreas ou de regiões próximas, com compressão ou invasão da veia
  • Pancreatite, infecções e inflamações abdominais
  • Cirurgias abdominais, transplante e trauma
  • Alterações hereditárias ou adquiridas da coagulação e doenças hematológicas
  • Gravidez, puerpério e uso de determinados medicamentos

Manifestações

Principais manifestações

  • Ausência de sintomas, com achado em exame realizado por outro motivo
  • Dor abdominal
  • Aumento do volume abdominal
  • Náuseas
  • Febre, conforme a causa
  • Aumento do baço
  • Redução das plaquetas
  • Ascite
  • Varizes de esôfago ou estômago
  • Sangramento digestivo
  • Piora de doença hepática já conhecida

Investigação

Como é investigada

A investigação combina avaliação clínica, ultrassonografia com Doppler, tomografia ou ressonância e exames complementares. O objetivo é confirmar a obstrução, estimar o tempo de evolução, medir a extensão, diferenciar trombo sanguíneo de invasão tumoral e identificar a causa.

Exames habitualmente utilizados

  • Avaliação clínica, com histórico de doença do fígado, cirurgias, infecções, câncer e medicamentos
  • Ultrassonografia com Doppler da veia porta e de seus ramos
  • Tomografia computadorizada ou ressonância magnética com contraste
  • Exames laboratoriais de função hepática, coagulação e células do sangue
  • Avaliações especializadas em hepatologia, hematologia ou oncologia, conforme o caso

Evolução

Gravidade, evolução e complicações

Complicações possíveis

  • Extensão do coágulo para as veias esplênica e mesentérica
  • Hipertensão portal
  • Varizes de esôfago ou estômago e sangramento digestivo
  • Ascite
  • Aumento do baço e redução das plaquetas
  • Sofrimento intestinal, em situações de envolvimento mesentérico

Possibilidades

Tratamentos possíveis

Não existe uma única conduta apropriada para todos os pacientes. Conforme o caso, o tratamento pode envolver acompanhamento, anticoagulação, recanalização da veia porta ou TIPS, sempre considerando o tempo de evolução, a extensão, a causa, a função do fígado e o risco de sangramento.

Radiologia Intervencionista

Quando a Radiologia Intervencionista pode ser considerada

A Radiologia Intervencionista participa por meio da recanalização da veia porta, que busca atravessar a região obstruída e restabelecer o fluxo com balão, stent ou técnicas combinadas, e do TIPS, que reduz a pressão portal. A presença dessas possibilidades nesta página não representa indicação: nem toda trombose portal pode ou precisa ser recanalizada.

Possibilidades terapêuticas

  • Acompanhamento com exames, em tromboses estáveis e crônicas selecionadas
  • Anticoagulação, quando indicada pela equipe assistente
  • Recanalização da veia porta em pacientes selecionados
  • TIPS em pacientes selecionados, isolado ou associado à recanalização
  • Tratamento da causa da trombose e da doença de base

Transparência

Limitações

Os procedimentos não garantem recuperação completa do fluxo nem controle permanente da hipertensão portal. Em obstruções antigas e extensas a complexidade tende a ser maior, e alguns casos não permitem atravessar a obstrução.

Seguimento

Acompanhamento

O acompanhamento pode incluir exames de imagem com Doppler, tomografia ou ressonância, avaliação da função do fígado, revisão do tratamento clínico, acompanhamento do stent ou do TIPS quando realizados e reavaliação da causa da trombose.

Decisão compartilhada

Como a decisão é tomada

A decisão considera se a trombose é recente ou crônica, se o bloqueio é parcial ou completo, a extensão para outras veias, a presença de cirrose, a função do fígado, o risco de sangramento, a presença de varizes, os sintomas, a causa, a presença ou ausência de tumor, a resposta a tratamentos anteriores e a possibilidade de transplante hepático.

Resposta rápida

O que é trombose da veia porta?

É a formação de um coágulo dentro da veia porta, vaso que transporta ao fígado o sangue proveniente do intestino, estômago, baço e pâncreas. O bloqueio pode ser parcial ou completo e atingir outros ramos da circulação abdominal.

Trombose da veia porta não é a mesma doença que trombose na perna, embora ambas envolvam a formação de coágulos.

Anatomia

Como a veia porta funciona?

  • 1. O sangue é reunido no abdome

    O sangue dos órgãos digestivos é reunido em veias do abdome.

  • 2. A veia porta leva o sangue ao fígado

    A veia porta conduz esse sangue ao fígado.

  • 3. Um coágulo dificulta o fluxo

    Um coágulo pode reduzir ou interromper parte desse fluxo.

Tempo de evolução

Trombose recente ou crônica?

  • Trombose recente

    O coágulo se formou há menos tempo. Pode ser descoberto por acaso ou causar dor abdominal e outros sintomas. Existe risco de progressão para outras veias.

  • Trombose crônica

    O bloqueio persiste por mais tempo e o organismo pode formar pequenas veias ao redor da obstrução para desviar o sangue. Essa rede é chamada transformação cavernomatosa ou cavernoma portal.

A distinção entre trombose recente e crônica influencia as possibilidades de tratamento.

Cavernoma portal

O que é cavernoma portal?

Quando a veia porta permanece obstruída, o organismo pode desenvolver uma rede de pequenas veias ao redor do bloqueio. Esse desvio ajuda a manter parte do fluxo, mas pode estar associado à hipertensão portal e ao aparecimento de varizes.

Cavernoma portal não é um tumor. É uma adaptação da circulação à obstrução crônica da veia porta.

Causas

Quais são as principais causas e fatores associados?

  • Doenças do fígado

    Cirrose; hipertensão portal; outras doenças hepáticas crônicas.

  • Doenças tumorais

    Tumores do fígado; tumores do pâncreas ou de outras regiões; compressão ou invasão da veia por doença tumoral.

  • Inflamações e procedimentos abdominais

    Pancreatite; infecções ou inflamações abdominais; cirurgias; transplante; trauma.

  • Alterações da coagulação

    Condições hereditárias ou adquiridas; doenças hematológicas; estados de maior tendência à formação de coágulos.

  • Outras situações

    Gravidez e puerpério; uso de determinados medicamentos; casos em que a causa não é identificada inicialmente.

A investigação da causa deve ser individualizada e pode envolver hepatologia, hematologia, oncologia e outras especialidades.

Diagnóstico diferencial

Nem todo material dentro da veia porta representa o mesmo problema

Em pacientes com câncer, especialmente tumores do fígado ou regiões próximas, é importante diferenciar um coágulo sanguíneo de uma invasão da veia pelo próprio tumor.

  • O trombo sanguíneo pode ser tratado com anticoagulação ou recanalização em situações selecionadas
  • A invasão tumoral exige planejamento oncológico específico
  • Exames com contraste ajudam nessa diferenciação
  • Alguns casos continuam indeterminados e exigem avaliação especializada

Essa diferença modifica o diagnóstico, o prognóstico e o tratamento.

Sintomas

Quais sintomas podem ocorrer?

Alguns pacientes não apresentam sintomas e descobrem a trombose em um exame realizado por outro motivo.

Possíveis manifestações

  • Dor abdominal
  • Aumento do volume abdominal
  • Náuseas
  • Febre, conforme a causa
  • Aumento do baço
  • Redução das plaquetas
  • Ascite
  • Varizes de esôfago ou estômago
  • Sangramento digestivo
  • Piora de doença hepática já conhecida

Os sintomas variam conforme a velocidade da obstrução, sua extensão e a presença de doença do fígado.

Sinais de urgência

Quando procurar atendimento imediatamente?

Dor abdominal intensa ou em rápida piora, vômitos persistentes, abdome muito distendido, sangue nas fezes, vômito com sangue, fezes pretas, desmaio, confusão ou piora rápida do estado geral exigem atendimento de urgência.

Nessas situações, procure imediatamente um serviço de emergência, sem aguardar agendamento eletivo ou resposta a mensagens.

Investigação

Como é feito o diagnóstico?

  • 1. Avaliação clínica

    Considera sintomas, doenças do fígado, cirurgias, infecções, câncer, medicamentos e fatores de risco para trombose.

  • 2. Ultrassonografia com Doppler

    Avalia a presença e a direção do fluxo na veia porta e em seus ramos.

  • 3. Tomografia ou ressonância

    Mostra a extensão da trombose, o envolvimento de outras veias, a anatomia da circulação e possíveis causas.

  • 4. Investigação complementar

    Exames laboratoriais e avaliações especializadas podem investigar doenças do fígado, alterações da coagulação, inflamações ou tumores.

Comparar exames atuais e anteriores ajuda a estimar o tempo de evolução.

Extensão

A extensão da trombose importa?

Sim. A trombose pode atingir apenas parte da veia porta ou se estender para seus ramos e para outras veias do abdome, como as veias esplênica e mesentérica.

O envolvimento da circulação mesentérica pode aumentar a urgência do caso, especialmente quando existe suspeita de sofrimento intestinal.

Decisão

Como é escolhido o tratamento?

A conduta é individualizada e considera diferentes aspectos clínicos e anatômicos.

  • Trombose recente ou crônica
  • Bloqueio parcial ou completo
  • Extensão para outras veias
  • Presença de cirrose e função do fígado
  • Risco de sangramento
  • Presença de varizes
  • Sintomas e causa da trombose
  • Presença ou ausência de tumor
  • Resposta a tratamentos anteriores
  • Possibilidade de transplante hepático

Não existe uma única conduta apropriada para todos os pacientes.

Possibilidades

Quais são as possibilidades de tratamento?

  • Acompanhamento

    Algumas tromboses estáveis e crônicas podem ser acompanhadas com exames, conforme a anatomia e as condições do paciente.

  • Anticoagulação

    Medicamentos anticoagulantes podem ser indicados para evitar progressão e favorecer a recuperação do fluxo em determinados pacientes. A escolha e o acompanhamento são sempre médicos.

  • Recanalização da Veia Porta

    Procedimento que busca atravessar a região obstruída e restabelecer o fluxo, podendo utilizar angioplastia, stent ou outras técnicas, conforme o caso.

  • TIPS

    Pode ser associado à recanalização ou utilizado para tratar complicações da hipertensão portal em pacientes selecionados.

Anticoagulação

Todo paciente precisa de anticoagulação?

Não. A indicação depende do tempo de evolução, da extensão da trombose, da presença de cirrose, do risco de sangramento, da causa e das condições clínicas.

O risco de progressão da trombose deve ser comparado ao risco de sangramento. A decisão precisa ser individualizada e esta página não informa medicamentos, doses ou duração.

Indicações possíveis

Quando a recanalização pode ser considerada?

A recanalização pode ser considerada quando restabelecer o fluxo portal oferece benefício clínico relevante.

Situações possíveis

  • Progressão ou persistência da trombose apesar do tratamento adequado
  • Complicações importantes da hipertensão portal
  • Anatomia favorável ao procedimento
  • Necessidade de preservar ou recuperar acesso portal
  • Planejamento de transplante hepático
  • Trombose portomesentérica selecionada
  • Outras situações definidas pela equipe multidisciplinar

Nem toda trombose portal pode ou precisa ser recanalizada.

Como é feita

Como é feita a recanalização?

O radiologista intervencionista acessa a circulação portal por uma via escolhida conforme a anatomia. Fios e cateteres são conduzidos até a obstrução para tentar restabelecer o fluxo.

  • Planejamento com Doppler, tomografia ou ressonância
  • Escolha do acesso conforme a anatomia
  • Passagem através da obstrução
  • Possível uso de balão
  • Possível colocação de stent
  • Associação ao TIPS em determinados casos
  • Acompanhamento por exames

Descompressão portal

Quando o TIPS pode participar do tratamento?

O TIPS cria uma comunicação dentro do fígado entre a circulação portal e a circulação venosa sistêmica. Pode reduzir a pressão portal e, em situações selecionadas, ser associado à recanalização.

Possíveis contextos

  • Sangramento por varizes
  • Ascite refratária
  • Hipertensão portal clinicamente importante
  • Necessidade de manter o fluxo após recanalização
  • Planejamento específico relacionado ao transplante

O TIPS não é indicado para toda trombose e exige avaliação da função do fígado, do coração e dos rins e do risco de encefalopatia.

Consequências

Qual a relação com hipertensão portal e varizes?

A obstrução da veia porta pode aumentar a pressão na circulação portal e favorecer a formação de varizes.

Objetivos possíveis

Quais são os possíveis benefícios dos procedimentos?

Objetivos que podem ser buscados

  • Restabelecer o fluxo portal
  • Evitar progressão da obstrução
  • Reduzir determinadas complicações da hipertensão portal
  • Facilitar o planejamento de transplante
  • Controlar sangramento por varizes em situações selecionadas
  • Preservar a circulação portomesentérica

Os objetivos, riscos e resultados variam conforme a anatomia, o tempo de evolução e a doença de base.

Riscos e limitações

Quais são os possíveis riscos e limitações?

  • Sangramento
  • Infecção
  • Lesão de estruturas próximas
  • Nova trombose
  • Impossibilidade de atravessar a obstrução
  • Estreitamento ou obstrução do stent
  • Complicações relacionadas ao contraste
  • Encefalopatia quando existe TIPS
  • Necessidade de nova intervenção

A complexidade tende a ser maior em obstruções antigas e extensas, mas cada caso deve ser avaliado individualmente.

Segunda Opinião RADAM

Recebeu o diagnóstico de trombose da veia porta?

A equipe da RADAM — Radiologia Intervencionista da Amazônia, em Manaus (AM) — pode revisar os exames, avaliar a extensão da trombose e verificar se tratamento clínico, recanalização da veia porta ou TIPS podem ser considerados.

Em caso de dor intensa, sangramento ou piora rápida, procure atendimento de urgência.

Próximo passo

Entenda a extensão da trombose e as possibilidades de tratamento

A análise detalhada das imagens ajuda a definir se a melhor estratégia é acompanhamento, anticoagulação, recanalização ou TIPS.

Em caso de dor abdominal intensa, vômito com sangue ou fezes pretas, procure um serviço de urgência.

Equipe RADAM

Equipe médica relacionada

  • Dr. Antônio Oliveira de Araújo — RADAM

    Dr. Antônio Oliveira de Araújo

    Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular

    • Radiologista IntervencionistaRQE 5333
    • Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 3517

    CRM-AM 6045

  • Dr. Marcos André Filgueiras Dias — RADAM

    Dr. Marcos André Filgueiras Dias

    Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular

    • Radiologista IntervencionistaRQE 6404
    • Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 6389

    CRM-AM 7381

  • Dr. Paulo Inácio Alves Ramos Diniz — RADAM

    Dr. Paulo Inácio Alves Ramos Diniz

    Cirurgia Vascular • Angiorradiologia e Cirurgia Endovascular

    • Cirurgia VascularRQE 4051
    • Angiorradiologia e Cirurgia EndovascularRQE 5409

    CRM-AM 7392

  • Dra. Ruth da Silva Pinheiro — RADAM

    Dra. Ruth da Silva Pinheiro

    Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular

    • Radiologista IntervencionistaRQE 5659
    • Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 5633

    CRM-AM 8927

  • Dr. Sildomar Queiroz e Silva — RADAM

    Dr. Sildomar Queiroz e Silva

    Neurorradiologia • Radiologia Intervencionista

    • NeurorradiologiaRQE 6537
    • Radiologista IntervencionistaRQE 6192
    • Radiologia e Diagnóstico por ImagemRQE 6191

    CRM-AM 9916

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Perguntas frequentes

Para médicos

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Conteúdo revisado por

  • Dr. Antônio Oliveira de Araújo

    Radiologista Intervencionista · Cirurgia Vascular / Endovascular

    Mestre em Cirurgia · Professor de Medicina

    Membro Titular do CBR–SOBRICE

    CRM-AM 6045 | RQE 5333 | RQE 3517

Última revisão clínica: 30/08/2026

Referências selecionadas

  • AASLD — Vascular Liver Disorders, Portal Vein Thrombosis and Procedural BleedingAmerican Association for the Study of Liver Diseases
  • AASLD — Portal Hypertensive Bleeding in CirrhosisAmerican Association for the Study of Liver Diseases
  • EASL — Clinical Practice Guidelines on Vascular Diseases of the LiverEuropean Association for the Study of the Liver
  • CIRSE — Standards of Practice on Portal Venous Interventions and TIPSCardiovascular and Interventional Radiological Society of Europe

Informação responsável

Esta página é informativa e não substitui a consulta médica. A indicação, a técnica, o preparo e a recuperação dependem da avaliação individual de cada caso.

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