AVC e Emergências Cerebrovasculares
Trombectomia mecânica para AVC
Tratamento endovascular de emergência para pacientes selecionados com AVC isquêmico
A trombectomia mecânica é um tratamento de emergência para pacientes selecionados com AVC isquêmico provocado pela obstrução de uma artéria cerebral. Por meio de cateteres introduzidos no sistema arterial, a equipe alcança o vaso obstruído e utiliza dispositivos de aspiração ou captura para remover o coágulo e tentar restabelecer o fluxo sanguíneo. A indicação depende do quadro clínico, do tempo desde o início dos sintomas, da artéria obstruída e dos exames de imagem. Nem todo AVC é causado por um coágulo e nem todo paciente é candidato à trombectomia.
- Angiografia
- Fluoroscopia
Esta página é informativa. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica individual.
Suspeita de AVC é emergência
Se a pessoa apresenta subitamente boca torta, fraqueza ou dormência de um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão, alteração importante do equilíbrio ou dor de cabeça muito intensa e diferente do habitual, procure imediatamente um serviço de emergência.
Acione o SAMU pelo 192 quando aplicável.
Anote
- O horário exato em que os sintomas começaram
- Ou o último momento em que a pessoa foi vista bem, sem os sintomas
Mesmo que os sinais melhorem ou desapareçam, a avaliação deve ser imediata. Não aguarde resposta por WhatsApp, formulário, consulta ou segunda opinião. Não dirija sozinho.
Visão geral
O que é AVC isquêmico?
O cérebro necessita de fluxo contínuo de sangue e oxigênio para funcionar. O AVC isquêmico ocorre quando uma artéria cerebral é obstruída e esse fluxo é interrompido. A obstrução pode ser causada por um coágulo formado no próprio vaso ou por material deslocado de outra região, como o coração ou as carótidas. Parte do tecido cerebral pode sofrer lesão e, ao redor da área já lesionada, pode existir tecido ainda sob risco e potencialmente recuperável. Quanto maior e mais proximal for a artéria obstruída, maior tende a ser o território cerebral ameaçado. O diagnóstico precisa diferenciar o AVC isquêmico da hemorragia cerebral, e essa diferenciação exige exames de imagem. O tratamento para desobstruir uma artéria não pode ser iniciado apenas pelos sintomas: primeiro é necessário confirmar o tipo de AVC por exames de imagem.
Remoção do coágulo
Como o coágulo pode ser removido
As estratégias abaixo são conceituais e podem ser combinadas. A escolha ocorre durante o planejamento e pode mudar conforme os achados do procedimento.
Aspiração
Um cateter é posicionado próximo ao coágulo e aplica-se aspiração para tentar remover o material. A estratégia depende da anatomia e do tipo de obstrução.
Stent retriever
Dispositivo temporário que se expande através do coágulo e ajuda a capturá-lo para retirada. Não deve ser confundido com um stent necessariamente deixado na artéria.
Técnica combinada
Pode associar aspiração e captura. É escolhida conforme o caso e pode exigir mais de uma tentativa.
Outras estratégias
Podem ser consideradas diante de obstrução persistente, estenose intracraniana ou anatomia específica. Não são indicadas universalmente e podem envolver medicamentos, angioplastia ou stent em situações selecionadas.
A escolha da técnica ocorre durante o planejamento e pode mudar conforme os achados do procedimento. Esta página não cita fabricantes e não afirma disponibilidade de todos os dispositivos.
Finalidade
Para que pode ser utilizada
A trombectomia mecânica busca restabelecer a circulação de um território cerebral ameaçado por uma obstrução arterial, em pacientes selecionados e após avaliação clínica e de imagem.
- Remover ou reduzir o coágulo que obstrui uma artéria cerebral
- Tentar restabelecer o fluxo sanguíneo do território ameaçado
- Preservar tecido cerebral ainda potencialmente recuperável
- Complementar a trombólise intravenosa em pacientes elegíveis
- Oferecer uma possibilidade de tratamento quando a trombólise não é indicada, conforme avaliação
- Orientar, durante o procedimento, a avaliação angiográfica da circulação cerebral
Técnica
Como é realizado
O atendimento começa pelo reconhecimento dos sinais de AVC e pela avaliação emergencial, com exame neurológico e clínico e exames de imagem que diferenciam isquemia de hemorragia e identificam a artéria obstruída. Confirmada a indicação pela equipe de AVC, o paciente é preparado rapidamente: uma artéria é puncionada, uma bainha e cateteres são introduzidos e navegados até os vasos que levam ao cérebro, e a angiografia confirma a obstrução. Cateteres especializados são progredidos até o trombo, que pode ser aspirado ou capturado, com avaliação angiográfica do fluxo após cada tentativa. Ao final, os cateteres são retirados, a hemostasia do acesso é obtida e o paciente segue para monitorização neurológica e intensiva, investigação da causa e início da recuperação. O acesso ocorre por uma artéria, geralmente na virilha ou no punho: não é necessário abrir o crânio para alcançar o coágulo. Não existe duração fixa, e etapas podem ocorrer simultaneamente para evitar atrasos desnecessários.
- Acesso: Acesso femoral, por uma artéria na virilha, ou acesso radial, por uma artéria no punho. A escolha depende da urgência, da anatomia e da experiência da equipe.
- Anestesia: Sedação ou anestesia geral, conforme o estado clínico, o nível de consciência, a agitação, a capacidade de permanecer imóvel, a proteção das vias aéreas, a localização da oclusão e a estratégia da equipe. Nenhuma técnica é universalmente superior e a preparação anestésica não deve causar atrasos evitáveis.
Como funciona na RADAM
Etapas do procedimento
01
Reconhecimento dos sinais
Familiares ou testemunhas identificam sintomas súbitos e registram o horário de início ou o último momento visto bem.
02
Atendimento emergencial
O serviço de urgência é acionado e o transporte ao hospital é providenciado.
03
Avaliação clínica e neurológica
A equipe avalia os déficits, o tempo de evolução e as condições clínicas.
04
Tomografia ou ressonância
Os exames diferenciam isquemia de hemorragia e estimam a extensão do comprometimento.
05
Identificação da artéria obstruída
O estudo vascular localiza a oclusão e auxilia no planejamento do acesso.
06
Decisão da equipe de AVC
A indicação é definida em conjunto, considerando riscos, benefícios e possibilidade técnica.
07
Preparação para o procedimento
A preparação é feita rapidamente, com estratégia anestésica definida conforme o quadro.
08
Punção arterial e cateteres
Uma artéria é puncionada e a bainha e os cateteres são introduzidos.
09
Navegação e angiografia
Os cateteres alcançam os vasos que levam ao cérebro e a angiografia confirma a obstrução.
10
Remoção do coágulo
Cateteres especializados são progredidos até o trombo, que pode ser aspirado ou capturado.
11
Avaliação do fluxo
A restauração da circulação é avaliada e a estratégia pode ser ajustada.
12
Retirada e hemostasia
Os cateteres são retirados e o acesso vascular recebe hemostasia e curativo.
13
Monitorização neurológica e intensiva
O paciente segue em unidade de AVC ou terapia intensiva, com controles clínicos e de imagem.
14
Investigação e recuperação
A causa do AVC é investigada, a prevenção é planejada e a reabilitação é iniciada quando segura.
O fluxo, a anestesia, o ambiente hospitalar e o tempo de recuperação variam conforme o procedimento e as condições do paciente.
Depois do procedimento
Recuperação e cuidados
Após o procedimento, o paciente permanece sob monitorização neurológica frequente, geralmente em unidade de AVC ou terapia intensiva. A evolução é acompanhada clinicamente e por exames de imagem de controle, enquanto a causa do AVC é investigada e a reabilitação é iniciada assim que for clinicamente segura. A reabertura da artéria não significa recuperação imediata: pode existir lesão já estabelecida e a recuperação varia entre pacientes.
Cuidados posteriores
- Monitorização neurológica frequente
- Controle da pressão arterial
- Avaliação do local da punção
- Exames de imagem de controle
- Vigilância para sangramento
- Avaliação da deglutição
- Prevenção de aspiração
- Controle de glicemia e temperatura
- Investigação da causa do AVC
- Prevenção de novos eventos
- Início da reabilitação quando clinicamente possível
- Orientação aos familiares
Anatomia
O que é oclusão de grande vaso?
A expressão indica a obstrução de uma artéria cerebral de maior calibre, capaz de comprometer uma grande área do cérebro e frequentemente associada a déficits neurológicos importantes.
- Pode envolver vasos da circulação anterior ou posterior
- Exemplos incluem a artéria carótida interna intracraniana, a artéria cerebral média e a artéria basilar
- Algumas oclusões mais distais ou de vasos médios podem ser avaliadas em situações selecionadas
- A localização da obstrução é determinada por angiotomografia, angiorressonância ou angiografia
- A gravidade dos sintomas isoladamente não define toda a indicação
A lista de vasos é apenas descritiva e não representa critérios automáticos de tratamento. A trombectomia trata o AVC isquêmico agudo e não é tratamento da estenose carotídea crônica.
Conceito
O que é trombectomia mecânica?
- É um procedimento endovascular, realizado por dentro das artérias
- Utiliza cateteres navegados até a artéria cerebral obstruída
- O coágulo pode ser aspirado ou capturado
- O objetivo é restabelecer a circulação tão rapidamente quanto possível
- Não exige abertura cirúrgica do crânio
- Pode ser associada a outros tratamentos do AVC
- A abertura do vaso não garante recuperação completa
- O resultado depende do tempo, da extensão da lesão, da circulação colateral, da localização da obstrução e das condições clínicas
A trombectomia busca remover o coágulo e reabrir a artéria. A recuperação neurológica também depende de quanto tecido cerebral ainda pode ser preservado. O acesso ocorre por uma artéria, geralmente na virilha ou no punho: não é necessário abrir o crânio para alcançar o coágulo.
Reconhecimento
Como reconhecer um AVC?
O conceito SAMU ajuda a reconhecer rapidamente os sinais mais frequentes.
Outros sinais possíveis
- Perda súbita de equilíbrio
- Dificuldade súbita para caminhar
- Visão dupla ou perda da visão
- Dormência de um lado do corpo
- Confusão súbita
- Dificuldade para compreender
- Dor de cabeça súbita e muito intensa
- Redução súbita do nível de consciência
- Vômitos associados a sintomas neurológicos
- Vertigem intensa associada a outros déficits
S — Sorriso
Peça para a pessoa sorrir. Observe se um lado da face está caído ou assimétrico.
A — Abraço
Peça para levantar os dois braços. Observe se um deles cai ou apresenta fraqueza.
M — Música ou mensagem
Peça para repetir uma frase. Observe fala enrolada, dificuldade para falar ou para compreender.
U — Urgente
Na presença de qualquer sinal súbito, acione imediatamente o atendimento de urgência.
Não é necessário apresentar todos os sinais. Um único sintoma súbito pode justificar atendimento emergencial.
Tempo
O tempo é importante
- O tecido cerebral pode sofrer lesão progressiva enquanto a artéria permanece obstruída
- O atendimento precoce aumenta as possibilidades de tratamento
- O horário de início dos sintomas deve ser registrado
- Se o paciente acordou com sintomas, considera-se o último momento em que foi visto bem
- Algumas pessoas podem ser avaliadas em janelas mais prolongadas
- Exames de imagem ajudam a identificar quem ainda pode se beneficiar
- Isso não significa que seja seguro esperar
- A transferência entre hospitais deve ser coordenada com rapidez
- Nenhum conteúdo digital deve atrasar o atendimento
Existirem critérios para tratamento em janelas mais prolongadas não significa que se possa esperar. Quanto antes ocorrer a avaliação, melhor.
Seleção
Quem pode ser avaliado para trombectomia?
A seleção é individualizada e considera, entre outros fatores:
- Confirmação de AVC isquêmico
- Presença e localização de uma oclusão arterial
- Intensidade e natureza dos déficits neurológicos
- Horário de início ou último momento visto bem
- Tomografia ou ressonância
- Extensão de alterações já estabelecidas
- Presença de tecido cerebral potencialmente preservável
- Circulação colateral
- Idade
- Funcionalidade anterior ao AVC
- Comorbidades
- Uso de anticoagulantes
- Risco de sangramento
- Anatomia vascular
- Possibilidade técnica de alcançar o vaso
- Avaliação conjunta da equipe de AVC
Os critérios atuais são mais amplos do que no passado, mas a indicação continua individualizada. Esta página não estabelece limites rígidos de idade, pontuação neurológica, volume de lesão, horário, funcionalidade ou número de tentativas.
Imagem
Quais exames são realizados?
Os exames são complementares e o protocolo varia entre serviços. Nenhum método isolado é obrigatório em todos os cenários.
| Exame | O que avalia | Observações |
|---|---|---|
| Tomografia de crânio | Diferencia inicialmente hemorragia e isquemia e avalia sinais precoces de lesão | Ajuda a estimar a extensão do comprometimento |
| Angiotomografia | Identifica artérias obstruídas e a localização da oclusão | Auxilia no planejamento do acesso |
| Perfusão por tomografia | Pode estimar tecido já lesionado e tecido sob risco | Pode ajudar na seleção em situações específicas; não é obrigatória em todos os cenários |
| Ressonância | Pode identificar isquemia com alta sensibilidade | Pode ser utilizada em casos selecionados e não deve atrasar o tratamento quando não for necessária |
| Angiografia cerebral | Confirma a anatomia e a obstrução durante o procedimento | Orienta a navegação e permite avaliar o fluxo após a retirada do coágulo |
Tomografia de crânio
- O que avalia
- Diferencia inicialmente hemorragia e isquemia e avalia sinais precoces de lesão
- Observações
- Ajuda a estimar a extensão do comprometimento
Angiotomografia
- O que avalia
- Identifica artérias obstruídas e a localização da oclusão
- Observações
- Auxilia no planejamento do acesso
Perfusão por tomografia
- O que avalia
- Pode estimar tecido já lesionado e tecido sob risco
- Observações
- Pode ajudar na seleção em situações específicas; não é obrigatória em todos os cenários
Ressonância
- O que avalia
- Pode identificar isquemia com alta sensibilidade
- Observações
- Pode ser utilizada em casos selecionados e não deve atrasar o tratamento quando não for necessária
Angiografia cerebral
- O que avalia
- Confirma a anatomia e a obstrução durante o procedimento
- Observações
- Orienta a navegação e permite avaliar o fluxo após a retirada do coágulo
Comparação
Trombectomia e trombólise são iguais?
São tratamentos diferentes, com critérios próprios, que podem ser complementares em pacientes elegíveis.
| Tratamento | Como atua | Pontos principais |
|---|---|---|
| Trombólise intravenosa | Medicamento administrado pela veia, que busca dissolver o coágulo | Possui critérios clínicos e temporais próprios, deve ser iniciada rapidamente quando indicada, pode ser utilizada antes da trombectomia em pacientes elegíveis e não envolve cateter até o cérebro |
| Trombectomia mecânica | Cateteres navegados até a artéria cerebral, que buscam retirar o coágulo diretamente | É especialmente relevante em oclusões arteriais selecionadas, possui critérios próprios de indicação e pode ser realizada mesmo quando a trombólise não é indicada, conforme avaliação |
Trombólise intravenosa
- Como atua
- Medicamento administrado pela veia, que busca dissolver o coágulo
- Pontos principais
- Possui critérios clínicos e temporais próprios, deve ser iniciada rapidamente quando indicada, pode ser utilizada antes da trombectomia em pacientes elegíveis e não envolve cateter até o cérebro
Trombectomia mecânica
- Como atua
- Cateteres navegados até a artéria cerebral, que buscam retirar o coágulo diretamente
- Pontos principais
- É especialmente relevante em oclusões arteriais selecionadas, possui critérios próprios de indicação e pode ser realizada mesmo quando a trombólise não é indicada, conforme avaliação
Os tratamentos não são necessariamente concorrentes. Em pacientes elegíveis, a trombólise não deve ser atrasada apenas porque a trombectomia está sendo considerada, e a transferência para trombectomia também não deve ser desnecessariamente retardada. Esta página não indica medicamentos, doses ou automedicação.
Transparência
Todo AVC pode ser tratado com trombectomia?
Não. O procedimento é indicado para pacientes selecionados, após avaliação clínica e exames de imagem.
- AVC hemorrágico não é tratado com retirada de coágulo arterial
- AVC isquêmico sem oclusão apropriada pode não ter indicação
- Algumas artérias são pequenas ou de difícil acesso
- Parte do tecido cerebral pode já estar irreversivelmente lesionada
- Riscos podem superar benefícios em determinados casos
- Condições clínicas podem influenciar a decisão
- Exames e avaliação especializada são indispensáveis
- Mesmo pacientes inicialmente considerados fora dos critérios tradicionais podem ser avaliados segundo evidências atuais
Idade ou horário isoladamente não excluem definitivamente a possibilidade de avaliação.
Circulação posterior
Oclusão da artéria basilar
- A artéria basilar irriga estruturas vitais da circulação posterior
- Sua obstrução pode causar vertigem intensa, visão dupla, dificuldade para falar, engolir ou coordenar movimentos
- Pode provocar fraqueza dos quatro membros
- Pode reduzir o nível de consciência
- Os sintomas podem ser confundidos com outras condições
- Pacientes selecionados podem ser candidatos a tratamento endovascular
- A avaliação deve ser imediata
- A ausência de fraqueza típica em um lado não exclui AVC posterior
Nem toda oclusão basilar será tratada. A decisão depende da avaliação clínica, dos exames e da análise individual de riscos e benefícios.
Acesso vascular
Acesso pela virilha ou pelo punho
- O acesso femoral utiliza uma artéria na virilha
- O acesso radial utiliza uma artéria no punho
- A escolha depende da urgência, da anatomia e da experiência da equipe
- Condições da aorta e dos vasos cervicais influenciam a navegação
- Acessos alternativos podem ser considerados em situações excepcionais
- O objetivo é alcançar rapidamente o vaso cerebral com segurança
Nenhum acesso é universalmente superior. A decisão é técnica e individual.
Resultado técnico
O que significa recanalização?
- Recanalização significa reabertura do vaso
- Pode ser completa ou parcial
- A equipe avalia o fluxo após cada tentativa
- Reabrir a artéria não significa necessariamente recuperação imediata
- Pode existir lesão já estabelecida
- A reperfusão também pode causar complicações
- A evolução é acompanhada clinicamente e por imagem
Escalas técnicas, como a mTICI, são utilizadas pela equipe apenas para descrever o quanto o fluxo foi restabelecido no território tratado. Elas não representam garantia de recuperação neurológica.
Evolução
Resultado e recuperação
O resultado depende da rapidez do atendimento, da localização do vaso obstruído, da extensão do tecido já lesionado, da circulação colateral, do sucesso da reperfusão, da idade e funcionalidade anterior, da gravidade inicial, da causa do AVC, de eventuais complicações e do início da reabilitação.
Possíveis evoluções
- Melhora rápida
- Recuperação progressiva
- Permanência de déficits
- Necessidade de reabilitação prolongada
- Incapacidade
- Complicações graves
- Morte
A trombectomia aumenta a possibilidade de melhor evolução em pacientes corretamente selecionados, mas não permite prever individualmente o grau de recuperação.
Limites técnicos
Por que a artéria pode não abrir?
- Coágulo resistente
- Estenose ou aterosclerose subjacente
- Anatomia tortuosa
- Dificuldade de acesso
- Obstruções em múltiplos vasos
- Fragmentação ou migração do trombo
- Reoclusão
- Risco excessivo para novas tentativas
- Condição clínica do paciente
A equipe equilibra a tentativa de restaurar o fluxo com o risco de lesar a artéria ou provocar sangramento.
Depois da fase aguda
Investigação da causa do AVC
Após a fase aguda, a investigação busca identificar o mecanismo do AVC e orientar a prevenção de novos eventos. Podem ser avaliados:
- Fibrilação atrial
- Doença das carótidas
- Aterosclerose intracraniana
- Doença cardíaca
- Dissecção arterial
- Distúrbios de coagulação selecionados
- Outras fontes de embolia
- Fatores de risco vasculares
- Causas menos frequentes em pacientes jovens
A prevenção secundária é definida pela equipe assistente. Esta página não indica medicamentos específicos.
Recuperação
Reabilitação
- Fisioterapia
- Fonoaudiologia
- Terapia ocupacional
- Avaliação da deglutição
- Reabilitação cognitiva
- Suporte psicológico
- Controle de espasticidade
- Adaptação funcional
- Orientação aos cuidadores
- Acompanhamento neurológico
A reabilitação deve começar assim que for clinicamente segura e continuar de acordo com as necessidades do paciente. Não existe promessa de recuperação total.
Fluxo assistencial
Fluxo assistencial de emergência
- Reconhecimento dos sinais
- Acionamento da emergência
- Transporte ao hospital
- Avaliação clínica e neurológica
- Tomografia e estudo vascular
- Identificação da oclusão
- Decisão da equipe de AVC
- Trombólise quando indicada
- Trombectomia quando indicada
- Unidade de AVC ou terapia intensiva
- Investigação da causa
- Reabilitação e prevenção
Etapas podem ocorrer simultaneamente. O objetivo é reduzir atrasos sem comprometer a segurança.
Depois da alta
Avaliação após um AVC ou revisão do tratamento realizado
Depois da fase aguda, pacientes e familiares podem buscar uma avaliação para compreender o procedimento realizado, revisar exames, investigar a causa do AVC e discutir estratégias de acompanhamento e prevenção.
Estes canais são destinados a avaliações eletivas. Sintomas atuais ou novos sinais de AVC exigem atendimento emergencial imediato.
Benefícios potenciais
O que o procedimento pode oferecer
- Possibilidade de remover o coágulo e reabrir a artéria obstruída
- Tentativa de preservar tecido cerebral ainda viável
- Possibilidade de reduzir a extensão final da lesão em pacientes selecionados
- Tratamento realizado sem abertura cirúrgica do crânio
- Avaliação angiográfica direta da circulação cerebral durante o procedimento
- Possibilidade de associação a outros tratamentos do AVC, conforme elegibilidade
Riscos e limitações
Riscos possíveis e limitações
Riscos possíveis
- Sangramento ou hematoma no local do acesso
- Pseudoaneurisma
- Lesão arterial
- Dissecção
- Espasmo arterial
- Perfuração de vaso cerebral
- Hemorragia intracraniana
- Deslocamento ou fragmentação do coágulo
- Obstrução de outra artéria
- Falha em remover o trombo
- Reoclusão
- Lesão por reperfusão
- Reação ao contraste
- Alteração da função renal
- Reação à anestesia
- Infecção
- Piora neurológica
- Incapacidade permanente
- Necessidade de outra intervenção
- Morte
Se existem sintomas novos ou atuais de AVC, procure imediatamente um serviço de emergência ou acione o SAMU 192. Os canais digitais da RADAM destinam-se a avaliações eletivas após a fase aguda e não substituem pronto-socorro. Esta página não anuncia plantão, atendimento pré-hospitalar ou disponibilidade de trombectomia de emergência.
Transparência
Limitações do método
- AVC hemorrágico não é tratado com retirada de coágulo arterial
- AVC isquêmico sem oclusão apropriada pode não ter indicação
- Algumas artérias são pequenas ou de difícil acesso
- Parte do tecido cerebral pode já estar irreversivelmente lesionada
- Riscos podem superar benefícios em determinados casos
- Condições clínicas podem influenciar a decisão
- Exames e avaliação especializada são indispensáveis
- Mesmo pacientes inicialmente considerados fora dos critérios tradicionais podem ser reavaliados segundo evidências atuais
Outras possibilidades
Alternativas que podem ser avaliadas
- Trombólise intravenosa em pacientes elegíveis, conforme critérios próprios
- Tratamento clínico e suporte em unidade de AVC
- Controle de pressão arterial, glicemia e demais fatores agudos
- Prevenção secundária conforme a causa identificada
- Reabilitação precoce e multidisciplinar
- Tratamento de doença carotídea ou intracraniana associada, quando indicado
Segurança
Sinais de alerta após o procedimento
- Novos sintomas neurológicos súbitos
- Piora da fraqueza ou da fala
- Alteração do nível de consciência
- Dor de cabeça súbita e muito intensa
- Vômitos associados a sintomas neurológicos
- Sangramento persistente ou hematoma crescente no local da punção
- Membro frio, pálido, doloroso ou dormente
- Falta de ar ou dor no peito
- Convulsão
- Febre persistente
Na presença de qualquer um desses sinais, entre em contato com a equipe ou procure atendimento médico.
Relação clínica
Condições relacionadas
Situações associadas ao AVC isquêmico e à sua investigação. Páginas específicas de oclusão de grande vaso, fibrilação atrial, dissecção arterial, AVC de circulação posterior e acompanhamento após AVC estão em elaboração editorial.
Derrame cerebral / AVC
O AVC acontece quando a circulação de uma parte do cérebro é interrompida por uma obstrução ou por um sangramento e exige atendimento médico imediato.
Ver condiçãoEstenose de carótida
Estreitamento das artérias carótidas que pode reduzir a circulação cerebral e aumentar o risco de ataque isquêmico transitório ou AVC.
Ver condiçãoEstenose vascular cerebral
Estreitamento das artérias que levam sangue ao cérebro, identificado em exame.
Ver condição
Linha de cuidado
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Neurointervenção
Reúne procedimentos realizados por cateter, com imagens em tempo real, para tratar doenças dos vasos do cérebro e do pescoço.
Ver procedimentoArteriografia cerebral
Estudo angiográfico diagnóstico dos vasos cerebrais e cervicais, realizado por cateter.
Ver procedimentoAngioplastia de carótida com implante de stent
Por meio de um cateter introduzido em uma artéria, o médico alcança a carótida e posiciona um stent para manter o vaso aberto em casos selecionados.
Ver procedimentoAngioplastia Intracraniana
Por meio de cateteres, o médico alcança uma artéria estreitada dentro do crânio e a dilata com um balão, podendo implantar um stent em situações selecionadas. Na aterosclerose intracraniana, o tratamento clínico intensivo costuma ser a primeira estratégia.
Ver procedimento
Procedimento realizado em ambiente hospitalar
Após a avaliação e a indicação, a RADAM participa do planejamento, da coordenação hospitalar e do acompanhamento do paciente.
Procedimento de urgência: depende de indicação, janela de tempo, equipe habilitada, estrutura hospitalar e fluxos assistenciais.
Equipe RADAM
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Dr. Sildomar Queiroz e Silva
Neurorradiologia • Radiologia Intervencionista
- NeurorradiologiaRQE 6537
- Radiologista IntervencionistaRQE 6192
- Radiologia e Diagnóstico por ImagemRQE 6191
CRM-AM 9916
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes
Para médicos
Área para médicos
Discuta o caso, encaminhe o paciente ou solicite o procedimento pelos fluxos clínicos da RADAM.
Conteúdo revisado por
Dr. Antônio Oliveira de Araújo
Radiologista Intervencionista · Cirurgia Vascular / Endovascular
Mestre em Cirurgia · Professor de Medicina
Membro Titular do CBR–SOBRICE
CRM-AM 6045 | RQE 5333 | RQE 3517
Última revisão clínica: 25/08/2026
Conteúdo em elaboração editorial. As informações desta página serão ampliadas após revisão clínica.
Referências selecionadas
- Diretrizes e documentos de consenso sobre manejo do AVC isquêmico agudo
- Revisões e ensaios clínicos sobre trombectomia mecânica na oclusão de grande vaso
- Literatura sobre seleção por imagem em janelas estendidas e oclusão da artéria basilar
Informação responsável
Esta página é informativa e não substitui a consulta médica. A indicação, a técnica, o preparo e a recuperação dependem da avaliação individual de cada caso.
Próximo passo
Já passou pela fase aguda e precisa revisar o caso?
Após a estabilização hospitalar, os exames e o tratamento realizado podem ser revisados para esclarecer os achados, compreender a causa do AVC e discutir os próximos passos do acompanhamento. Se existem sintomas novos ou atuais, procure imediatamente um serviço de emergência: não utilize este canal para atendimento de AVC agudo.
Nenhum documento é enviado nesta etapa do protótipo. A equipe orienta o envio seguro após o contato.

