Intervenções pancreáticas
Drenagem Percutânea de Coleções Pancreáticas
Drenagem guiada por imagem de coleções pancreáticas e peripancreáticas
Após uma pancreatite, podem surgir coleções ao redor do pâncreas. Algumas contêm principalmente líquido; outras possuem tecido necrótico, debris ou infecção. Muitas desaparecem sem intervenção, enquanto outras precisam de drenagem. A abordagem percutânea utiliza ultrassonografia ou tomografia para posicionar um cateter. A escolha entre drenagem percutânea, endoscópica, cirurgia ou acompanhamento depende da fase da doença, anatomia, conteúdo e condição clínica.
- Ultrassom
- Tomografia
Esta página é informativa. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica individual.
Visão geral
O que é pancreatite?
Pancreatite é a inflamação do pâncreas e pode ser aguda ou crônica. A pancreatite aguda costuma ser dividida em intersticial edematosa e necrosante, e sua intensidade clínica varia bastante: alguns pacientes apresentam quadro leve e autolimitado, enquanto outros desenvolvem falência de órgãos, que influencia diretamente a gravidade. Cálculos biliares, álcool, alterações metabólicas, medicamentos, causas obstrutivas, autoimunes, genéticas e pós-procedimento estão entre as causas possíveis. Complicações locais, incluindo coleções, podem aparecer ao longo da evolução. Drenar uma coleção não trata necessariamente a causa da pancreatite, que segue exigindo investigação e tratamento próprios.
Comparação
PERCUTÂNEA, ENDOSCÓPICA OU CIRÚRGICA?
As três abordagens podem tratar coleções pancreáticas, com indicações, alcances e limitações diferentes. Elas podem ser combinadas.
Abordagem percutânea
O cateter é colocado através da pele, com orientação por ultrassonografia ou tomografia. O acesso pode ser transperitoneal ou retroperitoneal. Pode ser útil em coleções profundas, alcançar extensões para goteiras paracólicas e pelve, ser utilizada em pacientes muito doentes, complementar a drenagem endoscópica e criar acesso para etapas posteriores. Pode exigir mais de um cateter e pode causar ou manter fístula pancreatocutânea.
Abordagem endoscópica
Pode criar comunicação entre a coleção e o estômago ou o duodeno, normalmente com ecoendoscopia, permitindo drenagem interna e facilitando a necrosectomia. Depende da proximidade com o tubo digestivo, pode evitar cateter externo, não alcança igualmente todas as extensões, exige equipe e estrutura especializadas e pode ser combinada com a drenagem percutânea.
Abordagem cirúrgica
Pode ser minimamente invasiva, por acesso retroperitoneal ou laparoscópico, e a cirurgia aberta ainda tem papel em casos selecionados. Pode ser necessária após falha das etapas anteriores. Instabilidade clínica, anatomia e complicações influenciam a escolha, que deve integrar Cirurgia, Endoscopia e Radiologia Intervencionista.
A decisão é multidisciplinar e individual. Nenhuma dessas abordagens é universalmente superior, e a estratégia pode mudar ao longo da evolução.
Finalidade
Para que pode ser utilizada
A drenagem percutânea instala um cateter em determinadas coleções pancreáticas ou peripancreáticas para retirar conteúdo líquido, controlar infecção e reduzir sintomas relacionados à coleção. Ela costuma ser uma etapa dentro de uma estratégia multidisciplinar e progressiva, e não um tratamento isolado da pancreatite.
- Controlar conteúdo líquido de coleções selecionadas
- Contribuir para o controle da infecção junto com o tratamento clínico
- Coletar amostra para cultura quando a drenagem está indicada
- Aliviar sintomas relacionados à compressão ou à obstrução
- Criar acesso que pode ser utilizado em etapas posteriores
- Adiar ou evitar intervenções mais invasivas em parte dos casos
Técnica
Como é realizado
As etapas gerais incluem revisão clínica; análise da tomografia e da ressonância; classificação da coleção; avaliação do conteúdo e da extensão; exclusão de suspeita vascular relevante; discussão multidisciplinar; exames laboratoriais; definição do trajeto; anestesia local; sedação ou anestesia quando indicada; preparo estéril; punção guiada; aspiração; coleta de amostra; passagem de fio-guia; dilatação do trajeto; posicionamento do cateter; confirmação; fixação; curativo; monitorização e planejamento das etapas seguintes. Nem todas as etapas se aplicam a todos os casos e não existe duração fixa.
- Acesso: Punção percutânea transperitoneal ou retroperitoneal guiada por ultrassonografia ou tomografia, com instalação de cateter de drenagem e possibilidade de múltiplos acessos.
- Anestesia: Anestesia local, com sedação ou anestesia conforme a condição clínica, o trajeto planejado e a complexidade da coleção.

Papel da imagem no planejamento
Tomografia com contraste
Ajuda a caracterizar a pancreatite, identificar necrose, avaliar parede, gás, extensão para goteiras paracólicas e pelve, relação com estômago e duodeno e alterações vasculares relevantes.
Ressonância
Pode demonstrar melhor debris sólidos dentro de coleções aparentemente homogêneas e auxiliar na avaliação do ducto pancreático, inclusive na suspeita de desconexão ductal.
Ultrassonografia
Permite orientação em tempo real, avalia conteúdo e debris e pode ser utilizada na punção de coleções com boa janela acústica. Pode ser limitada por gases intestinais e pela profundidade.
Como funciona na RADAM
Etapas do procedimento
01
Pancreatite aguda
Suporte clínico, avaliação da gravidade e tratamento da causa.
02
Imagem
Tomografia com contraste ou ressonância quando indicada.
03
Classificação da coleção
Tipo, conteúdo, parede, extensão e tempo de evolução.
04
Avaliação de infecção
Correlação clínica, laboratorial e radiológica.
05
Discussão multidisciplinar
Cirurgia, Endoscopia e Radiologia Intervencionista.
06
Acompanhamento ou drenagem
Observação quando estável ou drenagem quando indicada.
07
Reavaliação
Resposta clínica, débito e imagem de controle.
08
Etapas adicionais
Otimização da drenagem, necrosectomia ou cirurgia quando necessária.
09
Seguimento
Avaliação do ducto pancreático, fístula e recorrência.
O fluxo, a anestesia, o ambiente hospitalar e o tempo de recuperação variam conforme o procedimento e as condições do paciente.
Preparo
Como se preparar
- Levar todas as tomografias e ressonâncias
- Informar a data de início da pancreatite
- Apresentar laudos
- Informar febre, dor, vômitos e tolerância à alimentação
- Informar antibióticos em uso
- Informar cirurgias e endoscopias prévias
- Informar drenagens anteriores
- Apresentar lista de medicamentos
- Comunicar anticoagulantes e antiagregantes
- Não suspender medicamentos por conta própria
- Informar alergia a contraste
- Informar doença renal
- Realizar hemograma, função renal e coagulação
- Seguir jejum individualizado
- Discutir a necessidade de internação
- Discutir suporte nutricional
- Comparecer com acompanhante quando aplicável
O preparo é individualizado e depende do estado clínico, da fase da pancreatite e da estratégia definida em discussão multidisciplinar.
Depois do procedimento
Recuperação e cuidados
A evolução depende da gravidade da pancreatite, do tipo de coleção, da quantidade de necrose, da presença de infecção e da resposta ao tratamento. Muitos pacientes permanecem internados por período variável e podem precisar de mais de um procedimento. Não é possível prometer alta rápida, número fixo de etapas nem prazo definido de retirada do cateter.
Cuidados posteriores
- Monitorização clínica
- Controle da dor
- Observação de sangramento
- Acompanhamento de febre
- Avaliação do débito
- Observação do aspecto do conteúdo
- Culturas quando indicadas
- Antibióticos conforme o quadro
- Suporte nutricional
- Cuidado com o curativo
- Lavagens somente quando prescritas
- Imagem de controle
- Reposicionamento ou ampliação do cateter quando necessário
- Avaliação de fístula
- Decisão sobre endoscopia, necrosectomia ou cirurgia
Fisiopatologia
Por que surgem coleções?
- A inflamação pode provocar extravasamento de líquido
- O tecido pancreático ou peripancreático pode sofrer necrose
- O ducto pancreático pode sofrer ruptura
- A secreção pancreática pode manter a coleção
- O conteúdo pode se espalhar pelo retroperitônio
- A organização da coleção muda com o tempo
- A infecção pode ocorrer em qualquer fase
A presença de uma coleção não significa automaticamente que exista infecção nem que exista indicação de drenagem.
Terminologia
Classificação das coleções
A Classificação Revisada de Atlanta considera o tipo de pancreatite, o conteúdo e o tempo de evolução. Os nomes não devem ser utilizados de forma intercambiável.
Coleção líquida peripancreática aguda
Ocorre na pancreatite intersticial edematosa, contém predominantemente líquido, aparece na fase inicial e não possui parede madura.
Coleção necrótica aguda
Ocorre na pancreatite necrosante, contém proporções variáveis de líquido e material necrótico e surge na fase inicial, podendo não ter parede definida.
Pseudocisto pancreático
Coleção encapsulada com conteúdo predominantemente líquido, geralmente após pancreatite intersticial, com parede definida.
Necrose encapsulada (WON)
Coleção organizada que contém necrose, também chamada walled-off necrosis, com parede mais definida e quantidade variável de debris.
Nem toda coleção após pancreatite é um pseudocisto. Os termos “pseudocisto agudo”, “flegmão pancreático” e “abscesso pancreático” como classificação genérica não são utilizados na terminologia atual.
Tipo 1
Coleção líquida peripancreática aguda
- Ocorre na pancreatite intersticial edematosa
- Contém predominantemente líquido
- Aparece na fase inicial da doença
- Não possui parede madura
- Muitas desaparecem espontaneamente
- Geralmente não exige drenagem
- A intervenção pode ser considerada diante de complicações selecionadas
A punção não deve ser realizada apenas para confirmar o conteúdo quando o resultado não mudará a conduta.
Tipo 2
Coleção necrótica aguda
- Ocorre na pancreatite necrosante
- Contém proporções variáveis de líquido e material necrótico
- Surge na fase inicial
- Pode não possuir parede definida
- A drenagem simples pode ser insuficiente
- Pode permanecer estéril ou tornar-se infectada
- A intervenção precoce pode ser necessária em situações selecionadas
A intervenção na fase inicial envolve maior complexidade técnica e deve ser decidida por equipe multidisciplinar.
Tipo 3
Pseudocisto pancreático
- Coleção encapsulada
- Contém predominantemente líquido
- Geralmente ocorre após pancreatite intersticial
- Costuma apresentar parede definida
- Não é definido apenas pelo tamanho
- Pode permanecer assintomático
- Pode regredir espontaneamente
- Pode causar dor, compressão, obstrução, sangramento, infecção ou ruptura
Conteúdo necrótico significativo sugere outra classificação. O tempo de evolução isolado não classifica a coleção sem avaliação do conteúdo e do contexto.
Tipo 4
Necrose encapsulada — WON
- Coleção organizada contendo necrose
- Também chamada walled-off necrosis
- Possui parede mais definida
- Pode conter quantidade significativa de debris
- Pode ser estéril ou infectada
- A drenagem do líquido pode não remover o tecido necrótico
- Pode exigir múltiplas etapas
Endoscopia, drenagem percutânea e cirurgia minimamente invasiva podem ser combinadas conforme a anatomia e a evolução.
Avaliação
Como diferenciar as coleções?
- Tempo desde o início da pancreatite
- Tomografia com contraste
- Ressonância
- Conteúdo líquido
- Debris
- Gás
- Parede
- Localização
- Extensão para goteiras paracólicas ou pelve
- Relação com estômago e duodeno
- Vasos e pseudoaneurismas
- Ducto pancreático
- Sintomas
- Sinais de infecção
Uma coleção aparentemente homogênea na tomografia pode conter debris demonstrados pela ressonância ou ultrassonografia.
Individualização
Toda coleção precisa ser drenada?
Não.
- Muitas coleções regridem espontaneamente
- Coleção estéril e assintomática pode ser acompanhada
- Tamanho isolado não define intervenção
- A presença da coleção por várias semanas não obriga a drenagem
- Os sintomas precisam estar relacionados à coleção
- O risco do acesso precisa ser considerado
- Tratamento da pancreatite e suporte nutricional permanecem essenciais
Indicação
Quando a drenagem pode ser considerada?
- Necrose infectada
- Forte suspeita de infecção
- Sepse relacionada à coleção
- Dor persistente
- Incapacidade de alimentação
- Náuseas e vômitos persistentes
- Obstrução gástrica ou duodenal
- Obstrução biliar
- Compressão de estruturas
- Fístula
- Síndrome inflamatória persistente
- Deterioração clínica
- Recorrência de pancreatite
- Extensão profunda não acessível adequadamente por endoscopia
- Coleção residual após outro tratamento
- Necessidade de estratégia progressiva
Somente o tamanho ou a presença de gás não constitui indicação automática de drenagem.
Infecção
Necrose estéril e necrose infectada
Necrose estéril
Não possui infecção demonstrada e muitas vezes é tratada sem intervenção. Sintomas ou complicações persistentes podem justificar drenagem em casos selecionados. Antibióticos não devem ser apresentados como rotina para necrose estéril.
Necrose infectada
Pode provocar febre, sepse ou deterioração clínica. O gás pode aumentar a suspeita, mas precisa de correlação, e sua ausência não exclui infecção. A cultura pode ser obtida durante a drenagem, e antibióticos junto com o controle da fonte podem ser necessários.
A intervenção deve ser planejada por equipe multidisciplinar. Esta página não prescreve antibióticos, doses ou esquemas.
Diagnóstico
É necessário puncionar para confirmar infecção?
- A punção diagnóstica isolada não é necessária na maioria dos casos
- O diagnóstico pode ser clínico e radiológico
- A amostra pode ser obtida durante uma drenagem já indicada
- Cultura negativa não exclui infecção
- Antibióticos prévios podem interferir no resultado
A punção não deve ser realizada apenas por incerteza quando o resultado não mudará a conduta.
Tempo de evolução
Quando intervir?
- Quando possível, a intervenção pode ser adiada para permitir a organização da coleção
- Uma parede mais madura pode facilitar certas abordagens
- O adiamento não é regra absoluta
- Infecção, sepse, deterioração ou complicações podem exigir drenagem antes
- O desbridamento precoce tende a apresentar maior risco
- Drenagem e necrosectomia não são a mesma intervenção
- O momento deve considerar estabilidade clínica e anatomia
Não é obrigatório esperar quatro semanas em todos os casos: esse intervalo é uma referência de organização, não um requisito absoluto.
Estratégia
Estratégia step-up
- Estabilização clínica e suporte
- Antibióticos quando há suspeita de infecção
- Drenagem percutânea ou endoscópica
- Reavaliação da resposta
- Otimização ou ampliação da drenagem
- Necrosectomia endoscópica ou minimamente invasiva quando necessária
- Cirurgia aberta em situações selecionadas
Nem todo paciente percorre todas as etapas. Alguns melhoram apenas com a drenagem, enquanto outros precisam de desbridamento.
Combinação
Abordagem combinada
- A drenagem endoscópica pode tratar a porção próxima ao estômago
- A drenagem percutânea pode alcançar extensões laterais ou pélvicas
- Cateteres podem ser utilizados para direcionar o fluxo
- A cirurgia minimamente invasiva pode utilizar trajeto já estabelecido
- A escolha depende da experiência da equipe e da anatomia
A abordagem combinada não é necessária em todos os casos.
Limitações
Conteúdo sólido e necrose
- O cateter drena melhor conteúdo líquido
- A necrose sólida pode não passar pelo cateter
- Calibre maior não resolve automaticamente todo o problema
- A irrigação pode ser utilizada sob protocolo institucional
- Múltiplos cateteres podem ser necessários
- A necrosectomia pode ser necessária
- A resposta deve ser avaliada clinicamente e por imagem
Não é possível prometer esvaziamento completo da coleção nem remoção completa da necrose apenas com o cateter.
Complicação ductal
O que é síndrome do ducto pancreático desconectado?
- A necrose pode interromper o ducto pancreático
- Um segmento pancreático viável continua produzindo secreção
- O líquido pode alimentar persistentemente a coleção
- O débito pelo dreno pode permanecer elevado
- A retirada pode levar à recorrência
- Uma fístula externa pode persistir
- O diagnóstico pode exigir ressonância, pancreatografia ou outros métodos
- O tratamento pode ser endoscópico, percutâneo ou cirúrgico
Nem todo débito persistente confirma desconexão ductal: a avaliação precisa integrar imagem, análise do líquido e evolução clínica.
Complicação
Fístula pancreática
- Comunicação persistente por onde escapa secreção pancreática
- Pode direcionar-se à pele, pleura, abdome ou tubo digestivo
- Pode ocorrer espontaneamente ou após drenagem
- Pode prolongar o uso do cateter
- As características do líquido podem auxiliar na avaliação
- O tratamento depende do ducto, do débito, da anatomia e das complicações
Não existe prazo universal para o fechamento de uma fístula pancreática.
Alerta vascular
Sangramento e pseudoaneurisma
- A pancreatite pode lesar artérias próximas
- Um pseudoaneurisma pode sangrar para dentro da coleção
- Sangue no cateter pode ser sinal de alerta
- Queda de hemoglobina, dor ou instabilidade exigem avaliação
- Tomografia vascular ou angiografia pode ser necessária
- A embolização pode ser considerada
Diante de suspeita de sangramento, o dreno não deve ser manipulado, lavado ou retirado até avaliação adequada. O tratamento de pseudoaneurisma visceral associado à pancreatite é discutido caso a caso.
Laboratório
O material é enviado para análise?
- Bacterioscopia
- Culturas
- Antibiograma
- Amilase
- Lipase
- Citologia
- Outras análises conforme a suspeita clínica
Nem toda amostra precisa de todos os exames. Cultura negativa não exclui infecção, o aspecto visual não define microrganismo e citologia negativa não exclui neoplasia: o resultado deve ser correlacionado ao contexto.
Suporte clínico
Antibióticos e nutrição
- Antibióticos podem ser necessários diante de infecção suspeita ou confirmada
- Não devem ser apresentados como rotina para toda necrose estéril
- Escolha e duração são individualizadas
- A nutrição enteral costuma ocupar papel importante
- A tolerância à alimentação influencia a decisão
- A drenagem não substitui o suporte clínico e nutricional
- Nutrologia ou equipe de nutrição pode participar do cuidado
Esta página não fornece doses, esquemas nem prescrição de medicamentos.
Cateter
Cuidados com o cateter
- Manter a fixação
- Evitar tração
- Manter o curativo
- Não cortar o cateter
- Não desconectar o sistema
- Não abrir o sistema
- Não fechar o cateter sem orientação
- Observar volume e aspecto do conteúdo
- Realizar lavagem somente se prescrita
- Não tentar desobstruir por conta própria
- Comunicar vazamento
- Comunicar sangue no dreno
- Comunicar saída parcial ou completa
- Cumprir os retornos programados
Esta página não fornece protocolo universal de irrigação. As orientações devem vir da equipe assistencial responsável.
Acompanhamento
Troca, reposicionamento e retirada
- O cateter pode obstruir
- Debris podem impedir a drenagem
- Pode ser necessário aumentar o calibre
- Pode ser necessário um novo acesso
- A retirada depende da resposta clínica e de imagem
- Imagem de controle pode ser necessária
- Fístula e desconexão ductal influenciam a decisão
- O débito isolado não define a retirada
- O fechamento precoce pode causar recorrência
Não existe prazo universal de permanência do cateter.
Fluxo assistencial
Da pancreatite à decisão sobre drenagem
- Pancreatite aguda
- Suporte clínico e nutricional
- Avaliação da gravidade
- Tomografia ou ressonância quando indicada
- Classificação da coleção
- Acompanhamento se assintomática e estável
- Suspeita de infecção, sintomas ou complicações
- Discussão multidisciplinar
- Drenagem endoscópica ou percutânea
- Reavaliação e otimização da drenagem
- Necrosectomia ou cirurgia quando necessária
- Acompanhamento do ducto e da recorrência
O envio dos exames não confirma automaticamente indicação de drenagem.
Segunda opinião
Esta coleção pancreática precisa ser drenada?
A decisão depende do tipo de coleção, tempo de evolução, presença de necrose, infecção, sintomas, extensão e relação com o tubo digestivo. A revisão das imagens pode ajudar a comparar acompanhamento, drenagem endoscópica, percutânea ou cirurgia.
Febre com piora clínica, confusão, queda de pressão, sangramento ou dor intensa exige avaliação hospitalar urgente.
Riscos e limitações
Riscos possíveis e limitações
Riscos possíveis
- Dor
- Hematoma
- Sangramento
- Lesão vascular
- Pseudoaneurisma
- Infecção
- Bacteremia
- Sepse
- Lesão intestinal
- Lesão gástrica
- Lesão esplênica
- Lesão hepática ou renal conforme o trajeto
- Transgressão pleural
- Pneumotórax
- Vazamento
- Peritonite
- Fístula pancreatocutânea
- Fístula digestiva
- Obstrução do cateter
- Deslocamento do cateter
- Saída acidental
- Drenagem incompleta
- Recorrência da coleção
- Necessidade de múltiplos procedimentos
- Necessidade de necrosectomia
- Necessidade de cirurgia
- Eventos graves, inclusive morte, embora o risco dependa do quadro clínico
Esta página é informativa e não confirma indicação de drenagem. Nem toda coleção após pancreatite é um pseudocisto, e nem toda necrose pancreática precisa ser drenada. O tamanho isolado não define a indicação e o intervalo de quatro semanas não é um requisito absoluto. A RADAM não é um serviço de emergência: febre com piora clínica, confusão, queda de pressão, sangramento ou dor intensa exige avaliação hospitalar urgente.
Transparência
Limitações do método
- O cateter drena conteúdo líquido e pode não remover necrose sólida
- A drenagem não trata a causa da pancreatite
- Coleções extensas podem exigir múltiplos acessos
- A desconexão do ducto pancreático pode manter a coleção ou a fístula
- Cultura negativa não exclui infecção
- Pode ser necessária necrosectomia endoscópica, minimamente invasiva ou cirurgia
Outras possibilidades
Alternativas que podem ser avaliadas
- Acompanhamento clínico e por imagem em coleções estéreis e assintomáticas
- Tratamento clínico da pancreatite com suporte nutricional
- Drenagem endoscópica transgástrica ou transduodenal em casos apropriados
- Necrosectomia endoscópica ou minimamente invasiva
- Cirurgia, inclusive por acesso retroperitoneal, laparoscópico ou aberto
Segurança
Sinais de alerta após o procedimento
- Febre persistente
- Calafrios
- Confusão
- Queda de pressão
- Piora intensa da dor
- Distensão abdominal progressiva
- Vômitos persistentes
- Falta de ar
- Sangramento
- Sangue no cateter
- Redução súbita do débito associada a sintomas
- Vazamento intenso ao redor do cateter
- Vermelhidão progressiva no local
- Saída parcial ou completa do cateter
- Piora clínica rápida
Na presença de qualquer um desses sinais, entre em contato com a equipe ou procure atendimento médico.
Linha de cuidado
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Drenagens Percutâneas Guiadas por Imagem
Algumas coleções de líquido, pus, bile, urina ou ar podem ser acessadas por meio de punção e cateter, utilizando imagens para planejar um trajeto seguro. Em alguns casos a aspiração é suficiente; em outros, um cateter precisa permanecer temporariamente. A indicação depende da causa, da localização, dos sintomas e das condições clínicas de cada paciente.
Ver procedimentoDrenagem Percutânea de Abscessos e Coleções
Abscessos e algumas coleções podem ser acessados através da pele com orientação por ultrassonografia ou tomografia. O conteúdo pode ser aspirado ou drenado por um cateter, conforme a localização, a consistência e a causa da alteração. A necessidade do procedimento é definida pela avaliação conjunta do quadro clínico, dos exames laboratoriais e das imagens.
Ver procedimentoDrenagem Biliar Percutânea
Quando a passagem da bile está bloqueada ou alterada, pode ser possível criar uma via de saída para a bile através da pele e do fígado, com orientação por imagem. O procedimento pode utilizar um cateter externo, interno-externo ou, em situações selecionadas, um stent. A escolha depende da causa, da anatomia, da condição clínica e da possibilidade de tratamento endoscópico ou cirúrgico.
Ver procedimentoBiópsia do pâncreas
Procedimento que retira uma pequena amostra de uma lesão do pâncreas para análise laboratorial, com trajeto planejado por tomografia ou ultrassonografia.
Ver procedimentoEmbolização de Hemorragias
Tratamento realizado por cateteres para localizar e fechar seletivamente os vasos responsáveis por um sangramento, preservando o máximo possível dos tecidos vizinhos.
Ver procedimentoQuimioterapia Intra-Arterial Hepática
Tratamento por cateter que leva o medicamento diretamente pela circulação arterial do fígado, dentro de um plano oncológico integrado.
Ver procedimento
Procedimento realizado em ambiente hospitalar
Após a avaliação e a indicação, a RADAM participa do planejamento, da coordenação hospitalar e do acompanhamento do paciente.
A drenagem de coleções pancreáticas depende de avaliação clínica, exames laboratoriais, tomografia ou ressonância recentes, discussão multidisciplinar com Cirurgia e Endoscopia e estrutura adequada para acompanhamento do cateter e das etapas seguintes. A RADAM coordena o planejamento e a jornada assistencial conforme cada caso.
Equipe RADAM
Equipe médica relacionada

Dr. Antônio Oliveira de Araújo
Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular
- Radiologista IntervencionistaRQE 5333
- Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 3517
CRM-AM 6045

Dr. Marcos André Filgueiras Dias
Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular
- Radiologista IntervencionistaRQE 6404
- Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 6389
CRM-AM 7381

Dra. Ruth da Silva Pinheiro
Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular
- Radiologista IntervencionistaRQE 5659
- Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 5633
CRM-AM 8927

Dr. Sildomar Queiroz e Silva
Neurorradiologia • Radiologia Intervencionista
- NeurorradiologiaRQE 6537
- Radiologista IntervencionistaRQE 6192
- Radiologia e Diagnóstico por ImagemRQE 6191
CRM-AM 9916
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes
Para médicos
Área para médicos
Discuta o caso, encaminhe o paciente ou solicite o procedimento pelos fluxos clínicos da RADAM.
Conteúdo revisado por
Dr. Antônio Oliveira de Araújo
Radiologista Intervencionista · Cirurgia Vascular / Endovascular
Mestre em Cirurgia · Professor de Medicina
Membro Titular do CBR–SOBRICE
CRM-AM 6045 | RQE 5333 | RQE 3517
Última revisão clínica: 27/08/2026
Conteúdo em elaboração editorial. As informações desta página serão ampliadas após revisão clínica.
Referências selecionadas
- Banks PA, Bollen TL, Dervenis C, et al. Classification of Acute Pancreatitis—2012: Revision of the Atlanta Classification and Definitions by International Consensus. Gut. 2013;62(1):102–111. Confirmar DOI e URL oficial na revisão editorial.Gut / BMJ
- Baron TH, DiMaio CJ, Wang AY, Morgan KA. American Gastroenterological Association Clinical Practice Update: Management of Pancreatic Necrosis. Gastroenterology. 2020. Confirmar volume, páginas, DOI e URL oficial na revisão editorial.American Gastroenterological Association / Gastroenterology
- Arvanitakis M, Dumonceau JM, Albert J, et al. Endoscopic Management of Acute Necrotizing Pancreatitis: European Society of Gastrointestinal Endoscopy Evidence-Based Multidisciplinary Guidelines. Endoscopy. 2018. Confirmar volume, páginas, DOI e URL na revisão editorial.European Society of Gastrointestinal Endoscopy / Endoscopy
- American College of Gastroenterology. ACG Clinical Guideline: Management of Acute Pancreatitis, atualização de 2024. Confirmar a URL oficial vigente na revisão editorial.American College of Gastroenterology
Informação responsável
Esta página é informativa e não substitui a consulta médica. A indicação, a técnica, o preparo e a recuperação dependem da avaliação individual de cada caso.
Próximo passo
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Envie as tomografias, ressonâncias, laudos e informações sobre a evolução clínica. A equipe poderá avaliar o tipo de coleção, a quantidade de necrose, sua extensão e as possibilidades percutânea, endoscópica ou cirúrgica. Febre com piora clínica, confusão, queda de pressão, sangramento ou dor intensa exige atendimento hospitalar urgente.
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