Intervenções hepatobiliares e portais
Tratamento Endovascular da Síndrome de Budd–Chiari
Estratégias por cateter para a obstrução da saída venosa do fígado
A síndrome de Budd–Chiari ocorre quando a saída do sangue do fígado é obstruída nas veias hepáticas ou em segmentos relacionados da veia cava inferior. O tratamento endovascular pode procurar restaurar essa drenagem ou criar uma nova passagem para aliviar a congestão, conforme a anatomia e a gravidade da doença.
- Ultrassom
- Fluoroscopia
- Angiografia
- Tomografia
O envio dos exames não confirma o diagnóstico nem a indicação de um procedimento.
Esta página é informativa. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação médica individual.
Visão geral
O que é a síndrome de Budd–Chiari?
É uma doença vascular rara, em que a saída venosa do fígado fica obstruída. Pode afetar uma ou mais veias hepáticas e pode envolver a veia cava inferior. Com a dificuldade de o sangue sair do fígado, ocorre congestão, que pode causar dor, ascite, aumento do fígado e disfunção hepática. A apresentação pode ser aguda, subaguda ou crônica, e a causa da obstrução precisa ser investigada. Budd–Chiari não é sinônimo de trombose da veia porta.
Modalidades
MODALIDADES DA MESMA ESTRATÉGIA
As técnicas abaixo integram uma mesma estratégia de tratamento e são combinadas conforme a anatomia e a apresentação clínica. Nenhuma delas é necessária em todos os pacientes.
Venografia hepática e cavografia
Estudo por cateter das veias hepáticas e da veia cava inferior, com medição de pressões quando aplicável, para localizar e caracterizar a obstrução.
Recanalização de veia hepática
Tentativa de atravessar, com fios e cateteres, um segmento hepático ocluído, restabelecendo um trajeto para o fluxo.
Angioplastia com balão
Dilatação do segmento estreitado ou recanalizado. Pode ser suficiente em parte dos casos, embora possa ocorrer novo estreitamento.
Stent de veia hepática ou de veia cava
Estrutura implantada para sustentar o trajeto quando o resultado do balão não é considerado suficiente. Exige acompanhamento.
Tratamento de membranas da veia cava
Algumas obstruções correspondem a membranas ou estenoses curtas da veia cava inferior, que podem ser abordadas por balão e, quando necessário, stent.
Trombólise e trombectomia
Consideradas em situações selecionadas, sobretudo em tromboses mais recentes, sempre com análise do risco de sangramento.
TIPS
Comunicação criada entre a circulação portal e a circulação venosa sistêmica, avaliada quando a drenagem direta não é possível ou não controla a doença.
Ver páginaDIPS
Derivação portocava intra-hepática direta, entre a veia porta e a veia cava, considerada em anatomias selecionadas e centros com experiência.
Estas modalidades não são páginas nem tratamentos independentes: integram uma mesma estratégia, definida caso a caso. O TIPS possui página própria e é apresentado aqui apenas na sua relação com a síndrome de Budd–Chiari.
Finalidade
Para que pode ser utilizada
O tratamento endovascular procura melhorar a drenagem do sangue que sai do fígado. Isso pode ocorrer pela reabertura de um segmento obstruído — com recanalização, angioplastia ou stent — ou pela criação de uma nova via de drenagem, como o TIPS. Nenhuma dessas etapas é necessária em todos os casos, e a estratégia integra o tratamento clínico, a anticoagulação quando indicada e a investigação da causa.
- Aliviar a congestão venosa do fígado
- Tentar restaurar a drenagem natural quando existe segmento tratável
- Controlar complicações como ascite e hipertensão portal, em casos selecionados
- Criar uma nova via de drenagem quando a recanalização não é possível
- Apoiar a decisão multidisciplinar, incluindo avaliação de transplante
Técnica
Como é realizado
As etapas gerais incluem revisão do quadro e das imagens; definição da estratégia; anestesia e monitorização; acesso venoso; cavografia e/ou venografia hepática; medição de pressões quando aplicável; tentativa de atravessar a obstrução; trombólise ou trombectomia quando indicadas; angioplastia; implantação de stent quando necessária; TIPS ou DIPS quando planejados; verificação do fluxo obtido; retirada dos cateteres; monitorização hospitalar e planejamento do acompanhamento. Nem todas as etapas se aplicam a todos os casos e não existe duração fixa.
- Acesso: O acesso é venoso e a via depende do objetivo: pode ser jugular, femoral ou combinada, incluindo abordagens trans-hepáticas em situações selecionadas. A escolha considera a anatomia, o local da obstrução e a técnica planejada.
- Anestesia: Anestesia geral ou outra estratégia anestésica pode ser utilizada, conforme a complexidade e o estado clínico. É necessária monitorização, a internação é esperada e casos graves podem exigir terapia intensiva. O tempo de internação varia e exames laboratoriais e de imagem podem ser repetidos.
Papel da imagem na avaliação e no procedimento
Ultrassonografia com Doppler
Avalia o fluxo das veias hepáticas e da veia cava, orienta a suspeita diagnóstica e é utilizada no acompanhamento.
Tomografia e ressonância
Definem a extensão da obstrução, a circulação colateral e ajudam na diferenciação de outras causas de congestão hepática.
Venografia e fluoroscopia
Durante o procedimento, mapeiam as veias hepáticas e a cava, orientam a passagem pela obstrução e confirmam o fluxo obtido.
Como funciona na RADAM
Etapas do procedimento
01
Suspeita de Budd–Chiari
Sintomas ou alterações de exames que sugerem obstrução da saída venosa do fígado.
02
Doppler e estudo vascular
Confirmação da obstrução das veias hepáticas ou da veia cava por imagem.
03
Avaliação hepática
Função hepática, complicações e repercussão clínica da congestão.
04
Investigação hematológica
Pesquisa das causas trombóticas associadas à doença.
05
Tratamento clínico
Anticoagulação quando indicada e tratamento das complicações, com reavaliação da resposta.
06
Discussão multidisciplinar
Hepatologia, Hematologia, Cirurgia, equipe de transplante e Radiologia Intervencionista.
07
Procedimento em casos selecionados
Angioplastia, stent, trombólise, trombectomia, TIPS ou DIPS, conforme a anatomia.
08
Acompanhamento prolongado
Vigilância do fluxo, do stent ou do shunt e da doença de base, com avaliação de transplante quando necessária.
O fluxo, a anestesia, o ambiente hospitalar e o tempo de recuperação variam conforme o procedimento e as condições do paciente.
Preparo
Como se preparar
- Levar exames de Doppler, tomografias e ressonâncias
- Apresentar laudos e relatórios de internações anteriores
- Informar episódios prévios de trombose
- Apresentar exames da investigação hematológica, quando já realizados
- Apresentar a relação de medicamentos em uso
- Comunicar uso de anticoagulantes e antiagregantes
- Não suspender medicamentos por conta própria
- Informar alergia a contraste
- Informar doença renal
- Realizar os exames laboratoriais solicitados
- Seguir a orientação de jejum
- Comparecer com acompanhante
- Comunicar febre ou infecção recente
O preparo é individualizado e depende da apresentação clínica, da função hepática e dos tratamentos já realizados. As orientações finais vêm sempre da equipe assistencial.
Depois do procedimento
Recuperação e cuidados
A evolução depende da apresentação, da extensão da obstrução, da função hepática e da resposta ao procedimento. A internação é esperada e o tempo varia; casos graves podem exigir terapia intensiva. Não existe calendário universal de exames de controle: o acompanhamento é definido pela equipe assistencial.
Cuidados posteriores
- Monitorização do local de acesso
- Acompanhamento da função hepática
- Controle da ascite
- Avaliação de encefalopatia
- Acompanhamento do fluxo venoso
- Ultrassonografia com Doppler
- Tomografia ou ressonância quando indicadas
- Continuidade dos medicamentos prescritos
- Acompanhamento hematológico
- Vigilância do stent ou do shunt
- Revisão do procedimento se houver suspeita de disfunção
- Avaliação para transplante quando necessária
Diagnóstico diferencial
O que não é Budd–Chiari?
O diagnóstico depende da localização e da causa da obstrução. Outras doenças podem causar congestão hepática ou hipertensão portal sem obstrução das veias hepáticas.
- Trombose da veia porta
- Insuficiência cardíaca com congestão hepática
- Pericardite constritiva
- Síndrome de obstrução sinusoidal
- Doença veno-oclusiva
- Compressão venosa por tumor
- Cirrose sem obstrução das veias hepáticas
Budd–Chiari afeta principalmente a saída do sangue do fígado. A trombose portal afeta o fluxo que entra no fígado: são diagnósticos vasculares diferentes.
Mecanismos
Por que a saída do sangue fica obstruída?
Os mecanismos possíveis são variados e frequentemente combinados. A causa precisa ser investigada em cada caso.
- Trombose
- Estreitamento
- Membrana venosa
- Fibrose
- Doenças mieloproliferativas
- Trombofilias
- Doenças autoimunes
- Condições hematológicas
- Fatores hormonais
- Gravidez ou puerpério
- Medicamentos em determinados contextos
- Causas não identificadas
Esta página não estabelece causalidade individual e não atribui automaticamente a doença a nenhum medicamento.
Diagnóstico
Como o diagnóstico é confirmado?
A investigação combina avaliação clínica e exames complementares. A angiografia não é obrigatória para todo diagnóstico.
- História clínica
- Exame físico
- Ultrassonografia com Doppler
- Tomografia
- Ressonância
- Exames da função hepática
- Avaliação da coagulação
- Investigação hematológica
- Estudo das veias hepáticas e da veia cava
- Venografia em casos selecionados
- Medição de pressões
- Biópsia hepática quando necessária
Estratégia
Tratamento em etapas
O tratamento é escalonado. A intervenção endovascular não é a primeira opção universal.
- Confirmar o diagnóstico
- Tratar as complicações
- Iniciar anticoagulação quando indicada
- Investigar e tratar a causa
- Considerar recanalização, angioplastia ou stent quando houver obstrução tratável
- Considerar TIPS quando a drenagem direta não for suficiente ou possível
- Avaliar transplante quando houver falha das estratégias anteriores ou insuficiência hepática grave
Nem todos os pacientes percorrem todas as etapas. A estratégia depende da apresentação e da resposta.
Seleção
Quando a angioplastia ou o stent podem ser considerados?
- Obstrução curta
- Membrana venosa
- Estenose focal
- Segmento acessível de veia hepática
- Obstrução da veia cava inferior
- Gradiente de pressão relevante no contexto clínico
- Persistência de congestão apesar do tratamento clínico
- Anatomia favorável à restauração do fluxo natural
A angioplastia procura ampliar a região estreitada. O stent pode sustentar o trajeto quando o resultado do balão não é suficiente. Nenhum gradiente ou percentual isolado indica automaticamente o procedimento.
Seleção
Quando a trombólise ou a trombectomia podem ser consideradas?
- Coágulos recentes podem se comportar de forma diferente de obstruções antigas e fibrosadas
- A trombólise procura dissolver o trombo
- A trombectomia procura remover parte do coágulo
- Podem ser associadas à angioplastia
- O risco de sangramento precisa ser considerado
- Não são adequadas para todo paciente
- O tratamento da causa trombótica continua necessário
Esta página não informa medicamentos, doses ou tempo de infusão.
TIPS
Quando o TIPS pode ser utilizado?
- O TIPS cria uma passagem entre a circulação portal e a circulação venosa sistêmica
- Pode aliviar a congestão do fígado
- Pode ser considerado quando a recanalização direta não é possível ou não controla a doença
- Pode ser avaliado diante de ascite, piora hepática ou hipertensão portal em pacientes selecionados
- A anatomia das veias hepáticas pode tornar o procedimento mais complexo
- Acessos alternativos podem ser necessários
- O acompanhamento do shunt é indispensável
Técnica especializada
O que é DIPS?
- DIPS é uma derivação portocava intra-hepática direta
- Conecta diretamente a veia porta à veia cava
- Pode ser considerada quando as veias hepáticas não oferecem acesso adequado
- É uma técnica especializada
- Não é necessária para todo Budd–Chiari
- A seleção depende da anatomia e da experiência do centro
Comparação
Angioplastia, stent ou TIPS?
Comparação informativa entre estratégias. A escolha é individual.
| Estratégia | Objetivo | Considerações |
|---|---|---|
| Angioplastia | Procura restaurar a drenagem natural | Utiliza balão e depende de um segmento tratável |
| Stent | Mantém aberto o segmento recanalizado | Pode ser implantado em veia hepática ou cava e exige acompanhamento |
| TIPS ou DIPS | Cria uma nova via de drenagem | Pode ser necessário quando a drenagem natural não pode ser recuperada; possui riscos e acompanhamento próprios |
Angioplastia
- Objetivo
- Procura restaurar a drenagem natural
- Considerações
- Utiliza balão e depende de um segmento tratável
Stent
- Objetivo
- Mantém aberto o segmento recanalizado
- Considerações
- Pode ser implantado em veia hepática ou cava e exige acompanhamento
TIPS ou DIPS
- Objetivo
- Cria uma nova via de drenagem
- Considerações
- Pode ser necessário quando a drenagem natural não pode ser recuperada; possui riscos e acompanhamento próprios
A estratégia mais simples capaz de controlar a doença costuma ser considerada antes de abordagens mais complexas, desde que seja adequada à anatomia e à situação clínica.
Tratamento clínico
Anticoagulação
- A anticoagulação frequentemente integra o tratamento
- Pode ser necessária mesmo após a intervenção
- Doenças trombofílicas podem exigir tratamento prolongado
- O risco de sangramento precisa ser avaliado
- A presença de varizes deve ser considerada
- A adesão ao tratamento é importante
- Acompanhamento hematológico pode ser necessário
Não inicie, suspenda ou altere anticoagulantes por conta própria. Esta página não informa doses, medicamentos preferenciais ou duração de tratamento.
Causa
Investigação hematológica
A investigação pode incluir a avaliação de condições associadas à trombose, conforme a orientação da equipe assistente.
- Doenças mieloproliferativas
- Trombofilias hereditárias
- Síndrome antifosfolípide
- Hemoglobinúria paroxística noturna
- Outras condições hematológicas
- Fatores adquiridos de trombose
Tratar somente a obstrução, sem investigar a causa, pode deixar o paciente exposto a nova trombose. Nenhum teste é obrigatório para todos os casos.
Avaliação
Avaliação antes do procedimento
- Ultrassonografia com Doppler
- Tomografia ou ressonância
- Localização da obstrução
- Extensão da doença
- Avaliação da veia cava
- Anatomia portal
- Circulação colateral
- Função hepática
- Função renal
- Coagulação
- Ascite
- Encefalopatia
- Avaliação cardíaca
- Pesquisa de infecção
- Investigação hematológica
- Tratamentos prévios
- Anticoagulantes em uso
- Avaliação de transplante quando pertinente
- Discussão multidisciplinar
Expectativas
O procedimento cura Budd–Chiari?
Não necessariamente.
- Pode restaurar ou melhorar a drenagem
- Pode controlar a congestão e as complicações
- A causa trombótica pode permanecer
- A anticoagulação pode continuar
- Reestenose ou nova trombose podem ocorrer
- A doença hepática já estabelecida pode persistir
- O acompanhamento prolongado é necessário
- Alguns pacientes ainda podem precisar de transplante
Fluxo assistencial
Como a avaliação costuma ser organizada
- Suspeita de Budd–Chiari
- Doppler e estudo vascular
- Confirmação da obstrução venosa hepática
- Avaliação da função hepática
- Investigação hematológica
- Anticoagulação e tratamento das complicações
- Avaliação da resposta
- Angioplastia ou stent quando a anatomia permitir
- TIPS ou DIPS quando necessário
- Transplante em casos selecionados
- Acompanhamento prolongado
O envio dos exames não confirma o diagnóstico nem a indicação de tratamento endovascular.
Segunda opinião
Qual estratégia pode ser considerada para Budd–Chiari?
A revisão das imagens pode ajudar a identificar onde está a obstrução, se existe uma veia passível de recanalização e se angioplastia, stent, TIPS ou outra estratégia deve integrar a discussão multidisciplinar.
Esta avaliação é eletiva. Dor intensa, aumento rápido do abdome, confusão ou piora da função hepática exigem atendimento imediato.
Riscos e limitações
Riscos possíveis e limitações
Riscos possíveis
- Hematoma
- Sangramento
- Hemorragia interna
- Lesão vascular
- Perfuração de veia hepática ou da veia cava
- Lesão hepática
- Hemoperitônio
- Reação ao contraste
- Alteração da função renal
- Infecção
- Arritmia
- Trombose
- Embolia
- Migração do stent
- Oclusão de ramos venosos
- Reestenose
- Trombose do stent
- Disfunção do TIPS
- Encefalopatia
- Sobrecarga cardíaca
- Piora da função hepática
- Falha em atravessar a obstrução
- Necessidade de outro procedimento
- Necessidade de transplante
- Eventos graves, inclusive morte
Esta página é informativa e não confirma diagnóstico de síndrome de Budd–Chiari nem indicação de tratamento endovascular. Sintomas isolados não estabelecem o diagnóstico. Dor abdominal intensa, aumento rápido do abdome, icterícia progressiva, sangramento ou alteração da consciência exigem atendimento médico imediato. Não aguarde envio de exames, consulta eletiva ou resposta por mensagem.
Transparência
Limitações do método
- Não elimina a causa trombótica da doença
- Não é possível prometer a abertura completa da veia
- Obstruções crônicas organizadas podem não ser atravessadas
- A veia, o stent ou o shunt podem ocluir novamente
- Não substitui a avaliação hepatológica, hematológica ou de transplante
- Não garante que o transplante será evitado
Outras possibilidades
Alternativas que podem ser avaliadas
- Anticoagulação e tratamento clínico, conforme avaliação especializada
- Tratamento das complicações, incluindo controle da ascite
- Acompanhamento com exames de imagem em casos selecionados
- TIPS ou DIPS quando indicados
- Transplante hepático em casos selecionados
- Tratamento da doença hematológica ou trombofílica de base
Segurança
Sinais de alerta após o procedimento
- Dor abdominal intensa ou progressiva
- Aumento rápido do abdome
- Falta de ar
- Vômitos persistentes
- Vômito com sangue
- Fezes negras
- Desmaio
- Confusão mental
- Sonolência incomum
- Icterícia de rápida progressão
- Redução da urina
- Febre
- Sangramento
- Piora rápida do estado geral
Na presença de qualquer um desses sinais, entre em contato com a equipe ou procure atendimento médico.
Relação clínica
Situações clínicas relacionadas
Síndrome de Budd–Chiari, trombose das veias hepáticas, hipertensão portal, ascite, trombofilias, doenças mieloproliferativas, hemoglobinúria paroxística noturna, síndrome antifosfolípide, doença inflamatória intestinal, causas hormonais ou sistêmicas de trombose e insuficiência hepática podem motivar a avaliação. Cirrose, síndrome de obstrução sinusoidal e congestão hepática cardíaca são citadas apenas como diagnósticos diferenciais. A página da condição Síndrome de Budd–Chiari ainda não foi publicada. A presença nesta lista não significa indicação de procedimento.
Síndrome de Budd–Chiari
Obstrução das veias que drenam o fígado, identificada em exames de imagem.
Ver condiçãoHipertensão portal
Aumento da pressão no sistema da veia porta, que leva ao fígado o sangue dos órgãos abdominais. Pode provocar varizes, ascite e aumento do baço, e tem causas variadas — a cirrose é uma delas, mas não a única.
Ver condiçãoAscite
Acúmulo anormal de líquido dentro do abdome. Não é uma doença única: pode estar relacionada à cirrose e à hipertensão portal, a doenças tumorais, cardíacas, renais, pancreáticas e a outras causas, exigindo investigação individualizada.
Ver condiçãoTrombose venosa
Formação de um coágulo dentro de uma veia, que dificulta a circulação do sangue. Ocorre com maior frequência nas pernas, mas também pode atingir braços e veias do abdome. Quando envolve uma veia profunda, é chamada de trombose venosa profunda (TVP).
Ver condiçãoCirrose hepática
Doença crônica do fígado que altera sua estrutura e função e influencia as opções de tratamento de tumores hepáticos.
Ver condição
Linha de cuidado
Conteúdos relacionados
Outras intervenções já publicadas. A recanalização de veia porta e a embolização de veia porta aparecem para diferenciação: tratam o fluxo que entra no fígado, não a sua drenagem.
TIPS — Shunt Portossistêmico Intra-hepático
Quando a pressão do sangue que passa pelo fígado fica muito alta, podem surgir complicações como sangramento por varizes e acúmulo de líquido no abdome. O TIPS cria, por dentro das veias, um caminho alternativo mantido por um stent, o que pode reduzir essa pressão. A indicação depende da causa, da função do fígado e da avaliação de uma equipe multidisciplinar.
Ver procedimentoRecanalização de Veia Porta
A veia porta leva ao fígado o sangue que vem do intestino, do baço e de outros órgãos abdominais. Quando um segmento está estreitado ou obstruído, técnicas realizadas por cateter podem tentar reabrir esse trajeto, com balão, stent, retirada de coágulo ou estratégias combinadas. A existência de trombose ou estreitamento portal não determina automaticamente a necessidade de intervenção.
Ver procedimentoTratamento endovascular da trombose venosa
A anticoagulação é a base do tratamento da maioria das tromboses venosas profundas. Em casos selecionados — trombose iliofemoral extensa, sintomas importantes ou risco para o membro — o trombo pode ser removido ou dissolvido por cateter, com angioplastia e stent quando existe obstrução venosa relevante.
Ver procedimentoBiópsia do fígado
Procedimento guiado por imagem que permite retirar uma pequena amostra do fígado para ajudar no diagnóstico de diferentes alterações.
Ver procedimentoEmbolização de Veia Porta Pré-operatória
Antes de algumas cirurgias em que é necessário retirar grande parte do fígado, a parte que vai permanecer pode ser considerada pequena. A embolização portal fecha, por dentro dos vasos, ramos da veia porta do lado que será retirado, redirecionando o fluxo para o lado que ficará e estimulando o seu crescimento. É uma estratégia de preparação: não trata o tumor e não confirma que a cirurgia será possível.
Ver procedimento
Procedimento realizado em ambiente hospitalar
Após a avaliação e a indicação, a RADAM participa do planejamento, da coordenação hospitalar e do acompanhamento do paciente.
O tratamento endovascular da síndrome de Budd–Chiari é hospitalar e depende de imagens recentes, avaliação hepatológica, investigação hematológica e discussão multidisciplinar, incluindo a equipe de transplante quando pertinente.
Equipe RADAM
Equipe médica relacionada

Dr. Antônio Oliveira de Araújo
Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular
- Radiologista IntervencionistaRQE 5333
- Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 3517
CRM-AM 6045

Dr. Marcos André Filgueiras Dias
Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular
- Radiologista IntervencionistaRQE 6404
- Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 6389
CRM-AM 7381

Dra. Ruth da Silva Pinheiro
Radiologia Intervencionista • Vascular e Endovascular
- Radiologista IntervencionistaRQE 5659
- Cirurgia Vascular / EndovascularRQE 5633
CRM-AM 8927

Dr. Sildomar Queiroz e Silva
Neurorradiologia • Radiologia Intervencionista
- NeurorradiologiaRQE 6537
- Radiologista IntervencionistaRQE 6192
- Radiologia e Diagnóstico por ImagemRQE 6191
CRM-AM 9916
Dúvidas comuns
Perguntas frequentes
Para médicos
Área para médicos
Discuta o caso, encaminhe o paciente ou solicite o procedimento pelos fluxos clínicos da RADAM.
Conteúdo revisado por
Dr. Antônio Oliveira de Araújo
Radiologista Intervencionista · Cirurgia Vascular / Endovascular
Mestre em Cirurgia · Professor de Medicina
Membro Titular do CBR–SOBRICE
CRM-AM 6045 | RQE 5333 | RQE 3517
Conteúdo em elaboração editorial. As informações desta página serão ampliadas após revisão clínica.
Referências selecionadas
- European Association for the Study of the Liver. EASL Clinical Practice Guidelines on Vascular Diseases of the Liver. Journal of Hepatology. 2026;84(2):399–456. DOI: https://doi.org/10.1016/j.jhep.2025.08.001Journal of Hepatology — EASL
- American Association for the Study of Liver Diseases. Vascular Liver Disorders, Portal Vein Thrombosis, and Procedural Bleeding in Patients With Liver Disease.American Association for the Study of Liver Diseases
- Shukla A, et al. Budd-Chiari Syndrome: Consensus Guidance of the Asian Pacific Association for the Study of the Liver. 2021.Asian Pacific Association for the Study of the Liver
Informação responsável
Esta página é informativa e não substitui a consulta médica. A indicação, a técnica, o preparo e a recuperação dependem da avaliação individual de cada caso.
Próximo passo
Precisa avaliar uma obstrução das veias hepáticas?
Envie o Doppler, as tomografias, ressonâncias e informações sobre a investigação hematológica. A avaliação poderá considerar se existe anatomia favorável à recanalização, angioplastia, stent, TIPS ou outra estratégia. Dor intensa, aumento rápido do abdome, icterícia progressiva ou alteração da consciência exigem atendimento emergencial.
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